IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2020
Homem de 63 anos refere quadro de cefaleia há 6 meses. Inicialmente, a dor era leve, mas foi se tornando, progressivamente, mais intensa. Nesse período, notou algo errado com sua visão, pois, ao deambular, disse que tropeça em objetos que ficam nas laterais. Nega febre, convulsões, doenças prévias, uso de medicamentos, etilismo ou tabagismo. Exame físico: orientado e corado; PA: 145 x 95 mmHg, FC: 65 bpm, T: 36,5 ºC; força muscular normal nos 4 membros; visual: hemianopsia bitemporal. A hipótese diagnóstica mais provável é
Cefaleia progressiva + hemianopsia bitemporal → forte suspeita de tumor hipofisário/suprasselar com compressão do quiasma óptico.
A hemianopsia bitemporal é um achado clássico de lesões que comprimem o quiasma óptico, como tumores da hipófise ou da região suprasselar. A cefaleia progressiva é um sintoma comum de massa intracraniana em crescimento, e a combinação desses achados é altamente sugestiva de uma etiologia tumoral nessa localização.
Tumores de hipófise são neoplasias intracranianas relativamente comuns, representando cerca de 10-15% de todos os tumores cerebrais primários. Embora a maioria seja benigna (adenomas), sua localização estratégica pode levar a sintomas neurológicos e endócrinos significativos. A compreensão de sua apresentação clínica é crucial para o diagnóstico precoce e manejo adequado, impactando diretamente a qualidade de vida do paciente. A fisiopatologia dos sintomas visuais em tumores de hipófise está ligada à compressão do quiasma óptico, uma estrutura anatômica localizada superiormente à sela túrcica. A compressão das fibras nasais que se cruzam no quiasma resulta na clássica hemianopsia bitemporal. A cefaleia, por sua vez, pode ser causada pela expansão da massa tumoral e distensão das estruturas sensíveis à dor na base do crânio. A suspeita deve surgir em pacientes com cefaleia crônica progressiva associada a déficits visuais específicos. O tratamento de tumores de hipófise varia conforme o tipo e tamanho do tumor, bem como a presença de sintomas. Pode incluir cirurgia (via transesfenoidal ou transcraniana), radioterapia e tratamento medicamentoso, especialmente para tumores secretores de hormônios. O prognóstico geralmente é bom com o tratamento adequado, mas o acompanhamento a longo prazo é essencial para monitorar recorrências e disfunções endócrinas residuais.
Os tumores de hipófise podem causar cefaleia crônica e progressiva, alterações visuais como a hemianopsia bitemporal devido à compressão do quiasma óptico, e disfunções endócrinas variadas dependendo dos hormônios afetados ou produzidos em excesso.
A hemianopsia bitemporal ocorre quando há compressão das fibras nasais da retina que se cruzam no quiasma óptico. Essas fibras são responsáveis pela visão do campo temporal de cada olho, resultando na perda da visão lateral em ambos os olhos.
Além dos tumores de hipófise, outras causas incluem aneurismas da artéria comunicante anterior, craniofaringiomas, meningiomas suprasselares e hidrocefalia, que podem causar cefaleia e, em alguns casos, afetar a via visual.
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