PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025
Um homem de 62 anos foi encaminhado à clínica de cirurgia geral para avaliação adicional de dor abdominal crônica, distensão abdominal e saciedade precoce, que vinham piorando ao longo de vários meses. Ele era saudável anteriormente, exceto por hipertensão leve, controlada com metoprolol, e histórico de reparo de hérnia inguinal. Sua última colonoscopia de triagem, realizada há dois anos, foi negativa. Na revisão dos sistemas, ele revela fadiga significativa. Os resultados laboratoriais são consistentes com anemia leve. Uma tomografia computadorizada abdominal foi obtida por seu médico para avaliação adicional e revelou um grande tumor de origem gástrica.\n\nQual é o próximo passo para diagnosticar definitivamente esta lesão?
Massa gástrica volumosa ou submucosa → Ecoendoscopia (EUS) com PAAF para diagnóstico definitivo.
A ultrassonografia endoscópica com aspiração por agulha fina (EUS-FNA) é o padrão-ouro para o diagnóstico histopatológico de lesões gástricas profundas ou submucosas.
O diagnóstico de massas gástricas requer uma abordagem sistemática. Pacientes com sintomas de alarme (anemia, fadiga, saciedade precoce, perda ponderal) devem ser investigados prontamente. Quando uma tomografia revela uma massa volumosa, o diagnóstico diferencial inclui adenocarcinoma gástrico, linfoma gástrico e tumores estromais gastrointestinais (GIST).\n\nA ultrassonografia endoscópica (EUS) revolucionou o manejo dessas lesões. Ao combinar a visão endoscópica com a ultrassonográfica de alta frequência, o médico pode avaliar a ecogenicidade da massa e sua relação com as camadas da parede (mucosa, submucosa, muscular própria e serosa). A PAAF (Aspiração por Agulha Fina) permite a coleta de material para citologia e blocos de células (cell block), essenciais para a imuno-histoquímica, que diferencia, por exemplo, um GIST (CD117 positivo) de um leiomioma ou schwannoma.
Embora a endoscopia digestiva alta (EDA) seja o exame inicial para lesões luminais, grandes tumores gástricos podem ter origem submucosa (como os GISTs) ou infiltrar camadas profundas da parede gástrica onde a biópsia endoscópica convencional (pinça) pode resultar em falso-negativo por ser superficial. A ultrassonografia endoscópica (EUS) permite visualizar todas as camadas da parede gástrica, determinar a camada de origem da lesão e realizar a aspiração por agulha fina (PAAF) guiada em tempo real, garantindo amostras de tecido profundo para análise histopatológica e imuno-histoquímica.
Além de fornecer o diagnóstico definitivo através da biópsia, a ecoendoscopia (EUS) é o método mais acurado para o estadiamento local (T) e linfonodal (N) de tumores gástricos. Ela consegue distinguir a profundidade da invasão na parede gástrica e identificar linfonodos perigástricos suspeitos que também podem ser biopsiados. Isso é crucial para decidir entre ressecção endoscópica, cirurgia primária ou quimioterapia neoadjuvante.
Geralmente não é recomendada para tumores gástricos primários com intenção curativa. A biópsia percutânea guiada por imagem (TC ou USG) apresenta um risco significativo de 'seeding' ou disseminação de células neoplásicas ao longo do trajeto da agulha no peritônio, o que pode transformar uma doença local em metastática. A via endoscópica (EUS-FNA) evita esse risco, pois o trajeto da agulha está dentro da luz gástrica ou na parede do órgão que será ressecado cirurgicamente.
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