HOA - Hospital de Olhos de Aparecida de Goiânia (GO) — Prova 2025
Paciente masculino, 58 anos de idade, com histórico de dor epigástrica e perda de peso, apresenta-se com sangramento gastrointestinal. A endoscopia digestiva alta revela uma massa submucosa ulcerada no estômago e a biópsia confirma tumor estromal gastrointestinal (GIST). Durante o estadiamento, são encontradas metástases hepáticas. Qual é a conduta inicial mais apropriada para este paciente?
GIST metastático ou irressecável → tratamento de primeira linha é terapia-alvo com inibidor de tirosina quinase (Imatinibe).
A maioria dos GISTs possui mutações ativadoras nos genes KIT ou PDGFRA. O imatinibe, um inibidor de tirosina quinase, bloqueia seletivamente essas vias oncogênicas, sendo a terapia de escolha para doença avançada, metastática ou irressecável, antes de qualquer abordagem cirúrgica.
O tumor estromal gastrointestinal (GIST) é o tumor mesenquimal mais comum do trato gastrointestinal, originando-se das células intersticiais de Cajal. Sua incidência é relativamente baixa, mas representa uma entidade clínica importante devido à sua biologia molecular única e à resposta dramática à terapia-alvo. A localização mais frequente é o estômago (60%), seguido pelo intestino delgado (30%). A fisiopatologia da maioria dos GISTs envolve mutações ativadoras nos genes que codificam receptores de tirosina quinase, principalmente o c-KIT (CD117) e, menos comumente, o PDGFRA. O diagnóstico é confirmado por biópsia com análise imuno-histoquímica, que tipicamente demonstra positividade para CD117 e DOG1. O estadiamento é crucial e frequentemente revela doença metastática ao diagnóstico, principalmente no fígado e peritônio. O tratamento do GIST mudou radicalmente com o advento dos inibidores de tirosina quinase. Para doença metastática, irressecável ou como adjuvância em tumores de alto risco, a terapia sistêmica com imatinibe é o padrão-ouro de primeira linha. A cirurgia é o tratamento curativo para a doença localizada e ressecável. Em casos de doença avançada, a cirurgia pode ser considerada após resposta à terapia sistêmica, mas nunca como abordagem inicial. A radioterapia e a quimioterapia convencional não têm papel significativo no tratamento do GIST.
Cerca de 80-85% dos GISTs possuem mutações ativadoras no receptor de tirosina quinase c-KIT ou PDGFRA. O imatinibe inibe seletivamente a fosforilação desses receptores, bloqueando a sinalização intracelular que promove a proliferação e sobrevivência tumoral.
A cirurgia não é o tratamento inicial. Pode ser considerada em pacientes selecionados com doença estável ou com boa resposta ao imatinibe (cirurgia citorredutora de metástases), mas a terapia sistêmica com imatinibe é a base do tratamento e deve ser iniciada primeiro.
Os locais mais comuns de metástases do GIST são o fígado e o peritônio. Diferentemente de muitos carcinomas, as metástases para linfonodos ou pulmões são raras.
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