PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025
Um homem de 62 anos foi encaminhado à clínica de cirurgia geral para avaliação adicional de dor abdominal crônica, distensão abdominal e saciedade precoce, que vinham piorando ao longo de vários meses. Ele era saudável anteriormente, exceto por hipertensão leve, controlada com metoprolol, e histórico de reparo de hérnia inguinal. Sua última colonoscopia de triagem, realizada há dois anos, foi negativa. Na revisão dos sistemas, ele revela fadiga significativa. Os resultados laboratoriais são consistentes com anemia leve. Uma tomografia computadorizada abdominal foi obtida por seu médico para avaliação adicional e revelou um grande tumor de origem gástrica.\n\nOutro paciente com suspeita de GIST gástrico é submetido à biópsia guiada por ultrassom esofágico. A aparência histológica é consistente com GIST, mas não apresenta coloração positiva para c-KIT ou PDGFRA. Qual das seguintes opções é VERDADEIRA?
GIST 'wild-type' (KIT/PDGFRA negativo) = ~10% dos casos e possui pior resposta ao Imatinibe.
Uma minoria dos GISTs (cerca de 10%) não apresenta mutações nos genes KIT ou PDGFRA, sendo classificados como 'wild-type', exigindo abordagens terapêuticas distintas.
O Tumor Estromal Gastrointestinal (GIST) é a neoplasia mesenquimal mais comum do trato digestivo, originando-se das células intersticiais de Cajal. A revolução no seu tratamento ocorreu com a descoberta de que a maioria é impulsionada por mutações oncogênicas nos receptores de tirosina quinase KIT ou PDGFRA. Contudo, o subgrupo 'wild-type' é heterogêneo e inclui síndromes genéticas como a tríade de Carney e a síndrome de Carney-Stratakis.\n\nPacientes com GIST wild-type, especialmente aqueles com deficiência de SDH, tendem a ser mais jovens e apresentam tumores com comportamento biológico distinto, muitas vezes indolentes mas com maior propensão a metástases linfonodais, o que é raro nos GISTs mutantes convencionais. O manejo exige uma equipe multidisciplinar e, frequentemente, a realização de testes genéticos para guiar a terapia alvo e o aconselhamento genético familiar.
Um GIST é classificado como 'wild-type' quando a análise molecular não identifica mutações nos genes KIT (CD117) ou PDGFRA. Embora a maioria dos GISTs (cerca de 85-90%) possua essas mutações que ativam a tirosina quinase, os casos wild-type representam aproximadamente 10% do total e frequentemente envolvem outras vias, como a da succinato desidrogenase (SDH).
O diagnóstico baseia-se na morfologia histológica (células fusiformes ou epitelioides) e na positividade de outros marcadores imuno-histoquímicos, como o DOG1 (Discovered On GIST 1), que é altamente sensível e específico, mesmo em tumores negativos para KIT. A análise mutacional por sequenciamento genético é o padrão-ouro para confirmar a variante.
A importância reside na resposta terapêutica. O Imatinibe, um inibidor de tirosina quinase, é altamente eficaz em GISTs com mutação no KIT (especialmente exon 11). No entanto, GISTs wild-type costumam apresentar resistência primária ao Imatinibe, exigindo outras estratégias, como cirurgia agressiva ou novos agentes biológicos (ex: Sunitinibe, Regorafenibe).
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