FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026
Mulher de 48 anos, realizou endoscopia digestiva alta, que evidenciou uma lesão ovalada, projetada para o lúmen gástrico, recoberto por mucosa de aspecto normal, de consistência firme ao toque da pinça, medindo aproximadamente 3cm de diâmetro e localizada na parede posterior do corpo, sugestiva de tumor estromal. Considerando-se esta hipótese diagnóstica, é correto afirmar:
GIST → Mutação c-Kit (CD117) em 95% + Ressecção em cunha (sem necessidade de linfadenectomia).
O GIST é a neoplasia mesenquimal mais comum do TGI, caracterizada pela expressão da proteína KIT (CD117). O tratamento padrão é a ressecção cirúrgica com margens livres, sem necessidade de esvaziamento ganglionar.
Os GISTs originam-se das células intersticiais de Cajal, responsáveis pelo marcapasso do trato gastrointestinal. A localização mais comum é o estômago (60%). O comportamento biológico varia de indolente a altamente agressivo, sendo o tamanho tumoral e o índice mitótico os principais preditores prognósticos. A biópsia pré-operatória por endoscopia convencional muitas vezes é inconclusiva por ser uma lesão subepitelial, sendo a ecoendoscopia com punção (FNA) o método preferencial.
O diagnóstico de GIST é confirmado pela positividade da proteína KIT (CD117) em cerca de 95% dos casos. Outros marcadores importantes incluem o DOG1, que é altamente sensível e específico, especialmente em casos KIT-negativos. Esses marcadores diferenciam o GIST de outros tumores mesenquimais como leiomiomas ou schwannomas.
Diferente do adenocarcinoma gástrico, o GIST apresenta uma disseminação predominantemente hematogênica ou por contiguidade peritoneal, sendo a metástase linfonodal extremamente rara (menos de 1-2%). Portanto, a ressecção cirúrgica foca na obtenção de margens microscopicamente negativas (R0) sem a necessidade de dissecção linfonodal de rotina.
O mesilato de imatinibe é um inibidor da tirosina quinase utilizado como terapia de primeira linha para GISTs metastáticos ou irressecáveis. Também é indicado como terapia adjuvante em pacientes com alto risco de recorrência após a cirurgia (baseado no tamanho do tumor, índice mitótico e localização).
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