GIST Gástrico: Conduta Cirúrgica e Linfadenectomia

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024

Enunciado

Homem, 45 anos, da entrada em serviço de pronto atendimento com queixa de empachamento pós prandial e melena há 4 dias, realizou endoscopia digestiva alta que identificou lesão gástrica volumosa, em submucosa, na grande curvatura, biópsia identificou tratar-se de GIST (Tumor estromal gastrointestinal), tomografia de tórax e abdome identificou lesão gástrica de 11 cm. A melhor conduta, nesse caso, é:

Alternativas

  1. A) quimioterapia neoadjuvante, seguido de gastrectomia sem linfadenectomia.
  2. B) quimioterapia neoadjuvante, seguido de gastrectomia com linfadenectomia.
  3. C) gastrectomia com linfadenectomia.
  4. D) gastrectomia sem linfadenectomia. E) gastrectomia com linfadenectomia e quimioterapia adjuvante.

Pérola Clínica

GIST → Ressecção cirúrgica com margens livres SEM necessidade de linfadenectomia (disseminação hematogênica).

Resumo-Chave

O GIST é um tumor mesenquimal onde a ressecção R0 é o objetivo primordial. Diferente do adenocarcinoma, a disseminação linfática é rara, tornando a linfadenectomia desnecessária na maioria dos casos.

Contexto Educacional

O GIST é a neoplasia mesenquimal mais comum do trato digestivo, originada das células intersticiais de Cajal. A maioria expressa a proteína c-KIT (CD117). O tratamento de escolha para doença localizada é a ressecção cirúrgica completa. A decisão entre cirurgia imediata ou neoadjuvância depende da localização, tamanho e potencial de preservação orgânica. O prognóstico é definido pelo índice mitótico, tamanho tumoral e localização (estômago tem melhor prognóstico que intestino delgado).

Perguntas Frequentes

Por que não realizar linfadenectomia no GIST?

Diferente dos carcinomas epiteliais, os tumores estromais gastrointestinais (GIST) apresentam um padrão de disseminação predominantemente hematogênico e por contiguidade peritoneal. O envolvimento de linfonodos regionais é extremamente raro (menos de 5% dos casos), o que torna a linfadenectomia sistemática desnecessária, não agregando benefício em sobrevida global ou livre de doença, enquanto aumenta o tempo cirúrgico e riscos de complicações.

Quando considerar terapia neoadjuvante com Imatinibe?

A neoadjuvância com inibidores da tirosina quinase (Imatinibe) é indicada em casos de tumores inicialmente irressecáveis ou quando a cirurgia imediata implicaria em grande mutilação (ex: necessidade de gastrectomia total ou exenteração). O objetivo é a citorredução para permitir uma cirurgia conservadora com margens negativas. No caso de uma lesão de 11cm passível de ressecção primária segura, a cirurgia direta é uma opção válida.

Qual a margem cirúrgica ideal para o GIST?

O objetivo primordial na cirurgia do GIST é a obtenção de margens microscopicamente negativas (ressecção R0). Ao contrário do adenocarcinoma, não são necessárias margens amplas de 5cm; margens macroscópicas de 1 a 2 cm costumam ser suficientes, desde que a pseudocápsula do tumor não seja violada durante a manipulação, o que evitaria o extravasamento tumoral e a semeadura peritoneal.

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