HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2024
Homem, 55 anos de idade, procura pronto-socorro por melena há uma semana. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, descorado 1+/4+ com abdome flácido e indolor. O toque retal evidencia pequena quantidade de melena. Os exames laboratoriais revelam Hb 10,1g/dL de padrão hipocrômico e microcítico. Realizou endoscopia digestiva alta com identificação de lesão gástrica de aproximadamente 3,0cm de extensão, próxima à transição esofagogástrica, com pequena ulceração e restante da mucosa íntegra, conforme imagem a seguir. O restante do exame endoscópico estava normal. Considerando o caso clínico e a endoscopia, qual é a hipótese diagnóstica?
Lesão gástrica submucosa ulcerada + melena + anemia → suspeitar GIST.
A apresentação clínica com melena e anemia, associada a uma lesão gástrica submucosa com ulceração na endoscopia, é altamente sugestiva de GIST (Tumor Estromal Gastrointestinal). A ulceração da mucosa sobrejacente é uma causa comum de sangramento nesses tumores.
O Tumor Estromal Gastrointestinal (GIST) é o tumor mesenquimal mais comum do trato gastrointestinal, originando-se das células intersticiais de Cajal ou de seus precursores. Embora possa ocorrer em qualquer parte do TGI, o estômago é o local mais frequente. Sua importância clínica reside no potencial maligno e na necessidade de diagnóstico e tratamento específicos, que diferem dos adenocarcinomas. Clinicamente, o GIST pode ser assintomático e descoberto incidentalmente, ou manifestar-se com sintomas como sangramento gastrointestinal (melena, hematêmese) devido à ulceração da mucosa sobrejacente, dor abdominal, saciedade precoce ou anemia ferropriva crônica. A endoscopia digestiva alta tipicamente revela uma lesão submucosa, com a mucosa adjacente geralmente íntegra, mas com a possibilidade de ulceração superficial que justifica o sangramento. O diagnóstico definitivo requer biópsia e análise imuno-histoquímica, que geralmente mostra positividade para CD117 (KIT) e DOG1. O tratamento primário para GISTs ressecáveis é a cirurgia. Para tumores irressecáveis ou metastáticos, a terapia-alvo com inibidores de tirosina-quinase, como o imatinibe, é a pedra angular do tratamento, baseada na fisiopatologia molecular da doença.
GISTs geralmente se apresentam como lesões submucosas, com a mucosa sobrejacente intacta, mas podem ter ulceração central ou superficial, que é a causa mais comum de sangramento gastrointestinal.
As manifestações clínicas mais comuns são sangramento gastrointestinal (melena, hematêmese), anemia ferropriva, dor abdominal, saciedade precoce ou, em casos avançados, massa palpável e sintomas obstrutivos.
Após a suspeita endoscópica, a biópsia por ecoendoscopia (EUS-FNA) é o método preferencial para obter tecido para análise histopatológica e imuno-histoquímica, confirmando o diagnóstico e avaliando o risco.
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