Manejo do GIST Gástrico: Diagnóstico e Conduta Cirúrgica

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024

Enunciado

Homem, 65 anos, procurou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com relato de dor epigástrica e melena. Realizou endoscopia digestiva alta que mostrou pangastrite enantematosa moderada, além de lesão elevada com, aproximadamente, 4cm de diâmetro, possível origem submucosa e pequena ulceração em ápice que foi biopsiada, localizada na grande curvatura do corpo gástrico. O histopatológico foi compatível com neoplasia mesenquimal fusocelular, alto índice mitótico, presença de focos de necrose tumoral e expressão de CD34, CD117 e DOG1. Foi realizado estadiamento por imagem que não evidenciou a presença de lesões ou extensão extra gástricas. Com base no caso descrito, qual deve ser a proposta de tratamento para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Gastrectomia parcial com intenção de margens R0.
  2. B) Gastrectomia subtotal ou total com margens alargadas.
  3. C) Gastrectomia com margens alargadas e linfadenectomia D1.
  4. D) Gastrectomia com margens alargadas e linfadenectomia D2.

Pérola Clínica

GIST → Ressecção com margem R0; linfadenectomia é desnecessária (disseminação hematogênica).

Resumo-Chave

O GIST é uma neoplasia mesenquimal que expressa CD117 (c-KIT) e DOG1. O tratamento padrão para doença localizada é a ressecção cirúrgica com margens livres, sem necessidade de esvaziamento linfonodal radical.

Contexto Educacional

O Tumor Estromal Gastrointestinal (GIST) é a neoplasia mesenquimal mais comum do trato digestivo, originando-se das células intersticiais de Cajal. O caso clínico descreve uma apresentação clássica: lesão submucosa gástrica com ulceração apical em paciente idoso. A confirmação diagnóstica depende crucialmente da imuno-histoquímica, onde a expressão de CD117 e DOG1 é patognomônica. Embora a biópsia por endoscopia convencional possa ser inconclusiva por se tratar de lesão submucosa, neste caso ela confirmou o padrão fusocelular e a agressividade pelo alto índice mitótico. O tratamento de escolha para tumores ressecáveis e sem evidência de metástases a distância é a cirurgia. O objetivo primordial é a obtenção de margens microscopicamente negativas (R0). Como o tumor possui uma pseudocápsula friável, a manipulação cirúrgica deve ser extremamente cuidadosa para evitar a ruptura tumoral, o que elevaria drasticamente o risco de disseminação peritoneal. A extensão da ressecção depende do tamanho e localização, mas margens amplas ou linfadenectomias extensas (D1/D2) não trazem benefício oncológico adicional comprovado.

Perguntas Frequentes

Quais os principais marcadores imuno-histoquímicos do GIST?

Os marcadores clássicos são o CD117 (proteína c-KIT), presente em cerca de 95% dos casos, e o DOG1 (Discovered On GIST 1), que é altamente sensível e específico, sendo útil inclusive em casos c-KIT negativos. O CD34 também é frequentemente positivo, mas possui menor especificidade diagnóstica que os anteriores.

Por que não se faz linfadenectomia de rotina no GIST?

Diferente do adenocarcinoma gástrico, o GIST apresenta uma disseminação predominantemente hematogênica ou por contiguidade peritoneal. A metástase para linfonodos regionais é extremamente rara (ocorrendo em menos de 5% dos casos), tornando o esvaziamento linfonodal radical desnecessário na ausência de linfonodopatias clinicamente suspeitas.

Qual a importância do índice mitótico no GIST?

O índice mitótico, juntamente com o tamanho do tumor e a localização anatômica (estômago vs. intestino delgado), são os principais preditores de risco de recorrência e agressividade biológica. Esses parâmetros são fundamentais para classificar o risco do paciente e orientar a necessidade de terapia adjuvante com inibidores da tirosina quinase, como o Imatinibe.

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