GIST Gástrico: Diagnóstico e Apresentação Clínica

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 59 anos de idade, foi admitida no Serviço de Emergência devido à melena há 6 dias. Nega alteração do hábito intestinal. Sem comorbidades. Relata ingestão de bebida alcóolica nos finais de semana (1 lata de cerveja). Fez uso de anti-inflamatório há 1 mês. Ao exame clínico, encontra-se em bom estado geral; descorada; abdome flácido; sem massas palpáveis; e ausência de ascite.Exames laboratoriais: Hb 8,7 g/dL; Ht 26%; Plaquetas 231 mil/mm³; INR 1,1. Foi realizada a endoscopia digestiva alta que mostrou a seguinte lesão no corpo gástrico: Considerando o quadro clínico e o achado endoscópico, qual é o diagnóstico mais provável? 

Alternativas

  1. A) Tumor estromal gastrointestinal (GIST). 
  2. B) Adenocarcinoma gástrico. 
  3. C) Varizes gástricas.
  4. D) Úlcera gástrica Forrest III. 

Pérola Clínica

Melena + lesão submucosa gástrica em EDA = suspeitar GIST.

Resumo-Chave

GIST é o tumor mesenquimal mais comum do TGI, frequentemente se apresenta com sangramento (melena) e é visualizado como lesão submucosa na endoscopia, sendo o diagnóstico definitivo histopatológico com imuno-histoquímica (CD117/c-KIT).

Contexto Educacional

O Tumor Estromal Gastrointestinal (GIST) é o tumor mesenquimal mais comum do trato gastrointestinal, originando-se das células intersticiais de Cajal ou de seus precursores. Embora possa ocorrer em qualquer parte do TGI, o estômago é o local mais frequente (60-70% dos casos). A apresentação clínica é variada, mas o sangramento gastrointestinal, manifestado como melena ou hematêmese, é um sintoma comum, como visto no caso da questão. Na endoscopia digestiva alta (EDA), o GIST tipicamente se apresenta como uma lesão submucosa, que pode ter uma mucosa sobrejacente intacta ou ulcerada, sendo esta última a causa do sangramento. A diferenciação de outras lesões gástricas, como adenocarcinomas ou úlceras pépticas, é crucial. O diagnóstico definitivo requer biópsia e estudo imuno-histoquímico, com a maioria dos GISTs expressando a proteína CD117 (receptor c-KIT) e CD34. O manejo do GIST é predominantemente cirúrgico, com ressecção completa do tumor sendo o tratamento de escolha para lesões localizadas. Para tumores irressecáveis, metastáticos ou como terapia adjuvante em casos de alto risco de recorrência, os inibidores de tirosina quinase, como o imatinibe, são altamente eficazes. Residentes devem estar atentos à apresentação atípica de sangramento gastrointestinal e à característica submucosa dessas lesões para um diagnóstico e tratamento adequados.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas mais comuns de um GIST gástrico?

Os sintomas mais comuns incluem sangramento gastrointestinal (melena, hematêmese), dor abdominal, saciedade precoce, perda de peso e, em casos de grandes tumores, massa palpável.

Como o GIST é diagnosticado?

O diagnóstico é suspeitado por endoscopia (lesão submucosa), mas confirmado por biópsia com imuno-histoquímica, que geralmente revela positividade para CD117 (c-KIT) e CD34.

Qual o tratamento para GIST gástrico?

O tratamento primário é a ressecção cirúrgica completa. Para tumores irressecáveis ou metastáticos, e como terapia adjuvante em casos de alto risco, utiliza-se o inibidor de tirosina quinase imatinibe.

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