GIST: Diagnóstico e Características de Neoplasia Gástrica

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 35 anos, queixou-se de dor abdominal recorrente, distensão abdominal e saciedade precoce há alguns meses. Ela também mencionou perda de peso não intencional. Uma endoscopia digestiva alta mostrou uma lesão submucosa no estômago, e o exame anatomopatológico diagnosticou uma neoplasia de células fusiformes de origem no músculo liso. Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Tumor Estromal Gastrointestinal (GIST).
  2. B) Linfoma MALT gástrico.
  3. C) Adenocarcinoma do tipo intestinal.
  4. D) Pólipo gástrico ulcerado.

Pérola Clínica

Lesão submucosa gástrica + células fusiformes + origem músculo liso = GIST.

Resumo-Chave

O Tumor Estromal Gastrointestinal (GIST) é a neoplasia mesenquimal mais comum do trato gastrointestinal, caracterizada por células fusiformes e origem em células intersticiais de Cajal, frequentemente apresentando-se como lesão submucosa em endoscopia.

Contexto Educacional

O Tumor Estromal Gastrointestinal (GIST) representa a neoplasia mesenquimal mais comum do trato gastrointestinal, com uma incidência anual de aproximadamente 10 a 20 casos por milhão de habitantes. Embora possa ocorrer em qualquer parte do trato gastrointestinal, o estômago é o local mais frequente (60-70%), seguido pelo intestino delgado (20-30%). A importância clínica do GIST reside na sua potencial malignidade e na necessidade de um diagnóstico preciso para o manejo adequado. A fisiopatologia do GIST está intrinsecamente ligada a mutações nos genes KIT (80-85% dos casos) ou PDGFRA (5-10%), que codificam receptores tirosina quinase. Essas mutações levam à ativação constitutiva dos receptores, promovendo proliferação celular descontrolada. Clinicamente, os pacientes podem ser assintomáticos ou apresentar sintomas inespecíficos como dor abdominal, sangramento gastrointestinal, anemia, saciedade precoce e perda de peso. O diagnóstico é frequentemente suspeitado por endoscopia, que revela uma lesão submucosa, e confirmado por biópsia com imuno-histoquímica (positividade para CD117/KIT e DOG1). O tratamento do GIST depende do risco de malignidade, tamanho e localização do tumor. A ressecção cirúrgica é a principal modalidade terapêutica para tumores ressecáveis. Para tumores irressecáveis, metastáticos ou de alto risco, a terapia-alvo com inibidores de tirosina quinase, como o Imatinibe, tem demonstrado grande eficácia, revolucionando o prognóstico desses pacientes. Residentes devem estar atentos à apresentação atípica e à necessidade de exames complementares para um diagnóstico diferencial preciso.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas mais comuns do Tumor Estromal Gastrointestinal (GIST)?

Os sintomas do GIST são inespecíficos e podem incluir dor abdominal, sangramento gastrointestinal (melena, hematêmese), anemia, saciedade precoce, perda de peso e massa abdominal palpável. Muitos são assintomáticos e descobertos incidentalmente.

Como o GIST é diagnosticado?

O diagnóstico do GIST geralmente começa com exames de imagem (endoscopia, TC) que revelam uma lesão submucosa. A confirmação é feita por biópsia e exame anatomopatológico, que mostra células fusiformes ou epitelióides, e imuno-histoquímica positiva para CD117 (KIT) e DOG1.

Qual a origem celular do GIST?

O GIST origina-se das células intersticiais de Cajal (CIC), que são as células marca-passo do trato gastrointestinal. Essas células expressam o receptor tirosina quinase KIT (CD117), que é um alvo terapêutico importante.

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