ENARE/ENAMED — Prova 2025
Uma paciente de 54 anos se queixa de dor abdominal crônica e sensação de plenitude gástrica após as refeições. Uma endoscopia digestiva alta revela massa submucosa no corpo do estômago, e a biópsia confirma a presença de um tumor estromal gastrointestinal (GIST). A respeito do diagnóstico, prognóstico e tratamento dos tumores GIST, é correto afirmar que:
GIST → Tumor submucoso mesenquimal; CD117+ (c-KIT) é o marcador clássico; mutações KIT definem prognóstico.
GISTs são os tumores mesenquimais mais comuns do TGI. O prognóstico é determinado pelo tamanho do tumor, índice mitótico e localização, além do perfil mutacional do gene KIT.
Os tumores estromais gastrointestinais (GIST) representam a neoplasia mesenquimal mais comum do trato digestivo. Diferente dos adenocarcinomas, eles não se originam do epitélio, mas de precursores das células de Cajal na parede muscular. O comportamento biológico é variável; embora alguns sejam pequenos e indolentes, todos possuem potencial maligno. O sistema de estratificação de risco de Miettinen ou de Fletcher é utilizado para prever a recorrência, considerando o tamanho do tumor (>5cm aumenta o risco), a contagem mitótica (>5 por 50 campos de grande aumento) e a localização (GISTs gástricos têm melhor prognóstico que os de intestino delgado). A disseminação linfonodal é rara (<5%), o que torna a linfadenectomia desnecessária na maioria das ressecções cirúrgicas.
O diagnóstico de GIST baseia-se na histopatologia e, crucialmente, na imuno-histoquímica. Cerca de 95% dos GISTs expressam a proteína CD117 (um receptor tirosina quinase codificado pelo proto-oncogene c-KIT). Outro marcador importante é o DOG1 (Discovered on GIST 1), útil em casos CD117 negativos. Originam-se das células intersticiais de Cajal, o 'marcapasso' do trato gastrointestinal. Macroscopicamente, apresentam-se como massas submucosas que podem ulcerar a mucosa sobrejacente, sendo o estômago o local mais frequente (60%).
A maioria dos GISTs (cerca de 80%) possui mutações ativadoras no gene KIT, e cerca de 10% no gene PDGFRA. A localização e o tipo da mutação são determinantes prognósticos e preditivos de resposta ao tratamento. Por exemplo, mutações no exon 11 do KIT geralmente respondem bem ao Imatinibe, enquanto mutações no exon 9 podem exigir doses maiores. Certas mutações específicas, como a D842V no PDGFRA, conferem resistência ao Imatinibe. Portanto, a análise mutacional é recomendada para guiar a terapia sistêmica em casos avançados ou de alto risco.
O Imatinibe revolucionou o tratamento do GIST como a primeira terapia-alvo eficaz. Ele atua inibindo a atividade tirosina quinase dos receptores KIT e PDGFRA. É indicado como tratamento de primeira linha para doença metastática ou irressecável, e como terapia adjuvante por 3 anos em pacientes com alto risco de recorrência após cirurgia (baseado no tamanho, índice mitótico e localização). A cirurgia com margens livres (R0) continua sendo o tratamento definitivo para doença localizada, mas o Imatinibe neoadjuvante pode ser usado para citorredução antes de procedimentos complexos.
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