Tumor Cerebral Pediátrico: Sinais de Alerta e Diagnóstico

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Criança de 9 anos é levado ao pronto socorro com história de crise convulsiva inédita, caracterizada por movimentos tônicos  clônicos em dimídio esquerdo, de duração do 2 minutos, acompanhado de sonolência após episódio. Pais relatam que há cerca de 1 mês paciente vem apresentando cefaleias matinais, intensas, que por vezes despertavam o paciente no final da madrugada. Negava história de trauma. Exame clínico geral de admissão mostrava paciente vígil e orientado. Frequência cardíaca de 92 bpm, com enchimento capilar <3 segundos. Pressão arterial do 100X60mmHg (abaixo do P90). Neurológico: força muscular grau 5 em dimídio direto, e grau 3 em dimídio esquerdo. Com base nos dados clínicos, qual a alternativa que corresponde ao diagnóstico mais provável para este paciente?

Alternativas

  1. A) Tumor cerebral parietal.
  2. B) Hematoma extradural.
  3. C) Meningoencefalite viral.
  4. D) Síndrome epiléptica da infância.

Pérola Clínica

Crise convulsiva inédita + cefaleia matinal + déficit focal em criança → Suspeitar de tumor cerebral.

Resumo-Chave

A combinação de crise convulsiva inédita, cefaleias matinais (sugestivas de hipertensão intracraniana) e déficit neurológico focal (hemiparesia esquerda) em uma criança é altamente sugestiva de uma lesão expansiva intracraniana, sendo o tumor cerebral a hipótese mais provável.

Contexto Educacional

Tumores cerebrais são a segunda neoplasia mais comum em crianças, superados apenas pelas leucemias, e a principal causa de morte por câncer na faixa etária pediátrica. O diagnóstico precoce é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas iniciais, que podem ser confundidos com condições mais benignas. A apresentação clínica varia conforme a localização, tamanho e velocidade de crescimento do tumor, mas a suspeita deve ser alta diante de uma constelação de sintomas neurológicos progressivos. A fisiopatologia dos sintomas está relacionada ao efeito de massa do tumor, que pode comprimir estruturas cerebrais, causar edema peritumoral e obstruir o fluxo liquórico, levando à hipertensão intracraniana. As crises convulsivas podem ser focais ou generalizadas, dependendo da área cortical envolvida. As cefaleias matinais, vômitos e papiledema são clássicos da hipertensão intracraniana. Déficits neurológicos focais, como hemiparesia, ataxia ou alterações visuais, indicam o envolvimento de vias específicas. O diagnóstico de tumor cerebral em crianças exige uma anamnese detalhada e exame físico neurológico completo. A investigação prossegue com exames de imagem, sendo a Ressonância Magnética de crânio com contraste o padrão-ouro. O tratamento é multimodal, envolvendo cirurgia (ressecção máxima segura), radioterapia e quimioterapia, adaptado ao tipo histológico do tumor, localização e idade do paciente. O prognóstico melhorou significativamente com os avanços terapêuticos, mas sequelas neurológicas podem ocorrer.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para um tumor cerebral em crianças?

Sinais de alerta incluem cefaleias progressivas (especialmente matinais ou que acordam a criança), vômitos inexplicáveis, alterações de comportamento ou desempenho escolar, déficits neurológicos focais (fraqueza, alterações visuais), e crises convulsivas inéditas.

Por que as cefaleias matinais são um sinal de alerta para tumor cerebral?

As cefaleias matinais são frequentemente associadas ao aumento da pressão intracraniana (PIC), que tende a ser maior durante o sono. Tumores cerebrais podem causar aumento da PIC devido ao seu volume ou obstrução do fluxo liquórico.

Qual o exame de imagem inicial para investigar suspeita de tumor cerebral em criança?

A Ressonância Magnética (RM) de crânio com contraste é o exame de imagem de escolha para investigar a suspeita de tumor cerebral em crianças, oferecendo melhor detalhamento das estruturas cerebrais e da lesão.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo