UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2020
Um pré-escolar, 4 anos de idade, sexo masculino é levado ao pronto-socorro com história de cefaleia recorrente, vômitos e alteração do comportamento, caracterizada por irritabilidade há cerca de 20 dias. No exame físico, o paciente é pouco cooperativo, FC: 60 bpm, PA: 140×90 mmHg. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Cefaleia + vômitos recorrentes + alteração comportamento + bradicardia/hipertensão = suspeitar tumor cerebral (hipertensão intracraniana).
A tríade de cefaleia, vômitos e alteração de comportamento em um pré-escolar, especialmente com sinais de hipertensão intracraniana (bradicardia e hipertensão arterial), é altamente sugestiva de tumor cerebral. A investigação rápida com neuroimagem é crucial para o diagnóstico e manejo, pois tumores cerebrais são a segunda neoplasia mais comum na infância.
Tumores cerebrais são a segunda neoplasia mais comum na infância, superados apenas pelas leucemias. Em pré-escolares, a apresentação clínica pode ser insidiosa e inespecífica, dificultando o diagnóstico precoce. No entanto, a combinação de cefaleia recorrente, vômitos e alteração do comportamento, como irritabilidade, por um período prolongado (20 dias no caso), deve levantar forte suspeita. A presença de bradicardia (FC: 60 bpm) e hipertensão arterial (PA: 140x90 mmHg) no exame físico é um achado crítico. Essa combinação, conhecida como tríade de Cushing, é um sinal clássico de hipertensão intracraniana grave, que ocorre quando o aumento da pressão dentro do crânio compromete a perfusão cerebral. Tumores cerebrais, ao crescerem, podem obstruir o fluxo liquórico ou ocupar espaço, elevando a pressão intracraniana. Diante desse quadro, a hipótese diagnóstica mais provável é um tumor cerebral. Outras condições como meningite (geralmente aguda e com febre), enxaqueca ou cefaleia tensional (raramente com sinais de hipertensão intracraniana e alteração de comportamento tão marcada) e déficit de atenção (não causa cefaleia, vômitos ou alterações de sinais vitais) são menos prováveis. A investigação imediata com neuroimagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética) é imperativa para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado.
Sinais de alerta incluem cefaleia progressiva ou que acorda a criança, vômitos recorrentes sem causa aparente, alterações de comportamento ou personalidade, déficits neurológicos focais, convulsões e aumento do perímetro cefálico em lactentes.
A bradicardia e hipertensão arterial, juntamente com alterações respiratórias, formam a tríade de Cushing, um sinal clássico de hipertensão intracraniana grave, que pode ser causada por um tumor cerebral.
Tumores cerebrais geralmente causam cefaleia progressiva, vômitos matinais, e podem vir acompanhados de sinais neurológicos focais ou alterações de comportamento. Enxaquecas tendem a ser episódicas, com aura ou fotofobia, e sem sinais de hipertensão intracraniana.
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