Tumor Cerebral: Sinais Chave de Hipertensão Intracraniana

HOA - Hospital Oftalmológico do Acre - Rio Branco — Prova 2020

Enunciado

Chega ao pronto-socorro um paciente de 52 anos de idade, apresentando crise convulsiva. Realizado o atendimento inicial e após o período ictal, o paciente informa ser o primeiro episódio de crise convulsiva. Refere cefaleia há um ano com piora progressiva nos dois últimos meses, intensificado há uma semana. Antecedente pessoal: hipertensão arterial em tratamento com diurético e captopril. Ao exame físico: PA=160x95 mmHg, frequência cardíaca de 68 bpm, sem outras alterações clínicas. Ao exame neurológico: hemiparesia direita de predomínio braquial grau IV, liberação piramidal à direita, fundo de olho com edema de papila à direita e atrofia de papila à esquerda e déficit de olfato e gustação. A hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Hipertensão arterial intracraniana por hemorragia subaracnóidea.
  2. B) Hipertensão intracraniana por tumor cerebral.
  3. C) Esclerose múltipla.
  4. D) Esclerose lateral amiotrófica.
  5. E) Doença desminilizante.

Pérola Clínica

Edema de papila unilateral + atrofia contralateral + anosmia/ageusia → Síndrome de Foster Kennedy = tumor frontal.

Resumo-Chave

A combinação de edema de papila à direita e atrofia de papila à esquerda, juntamente com anosmia/ageusia (déficit de olfato e gustação), é altamente sugestiva da Síndrome de Foster Kennedy, que classicamente indica a presença de uma massa intracraniana, geralmente um tumor frontal. A cefaleia progressiva e a crise convulsiva corroboram a hipótese de lesão expansiva.

Contexto Educacional

O tumor cerebral é uma condição neurológica grave que exige alta suspeição clínica, especialmente em pacientes com sintomas progressivos. A epidemiologia varia com o tipo de tumor, mas a incidência aumenta com a idade. A compreensão dos sinais e sintomas é crucial para o diagnóstico precoce e manejo adequado, impactando diretamente o prognóstico do paciente. A fisiopatologia envolve o crescimento de uma massa que ocupa espaço no crânio, levando ao aumento da pressão intracraniana e compressão de estruturas adjacentes. O diagnóstico é baseado na história clínica, exame neurológico detalhado (buscando déficits focais e sinais de hipertensão intracraniana como papiledema) e confirmado por exames de imagem como tomografia computadorizada ou ressonância magnética. A Síndrome de Foster Kennedy é um achado semiológico clássico que indica localização frontal da lesão. O tratamento depende do tipo, tamanho e localização do tumor, podendo incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou uma combinação destas. O prognóstico é variável, mas o diagnóstico precoce e a intervenção terapêutica adequada são fundamentais para melhorar a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais de alarme e iniciar a investigação apropriada.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de um tumor cerebral?

Os tumores cerebrais podem manifestar-se com cefaleia progressiva, crises convulsivas, déficits neurológicos focais (como hemiparesia, alterações visuais ou de pares cranianos), alterações cognitivas e sinais de hipertensão intracraniana, como náuseas, vômitos e papiledema.

O que é a Síndrome de Foster Kennedy e qual sua importância diagnóstica?

A Síndrome de Foster Kennedy é caracterizada pela tríade de atrofia óptica unilateral, papiledema contralateral e anosmia (perda do olfato). É um sinal clássico de lesão expansiva intracraniana na região frontal, como um meningioma do sulco olfatório, e indica a necessidade de investigação urgente.

Como diferenciar a hipertensão intracraniana por tumor de outras causas?

A hipertensão intracraniana por tumor geralmente tem um curso crônico e progressivo, com sintomas que evoluem ao longo de semanas ou meses. Diferencia-se de causas agudas, como hemorragia subaracnoidea, que apresentam início súbito e dramático dos sintomas, como a 'pior cefaleia da vida'.

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