USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Menina, 14 anos, menarca há 2 anos, apresentando ciclos menstruais normais, queixa-se de aumento do volume abdominal há 2 meses. Ao exame clínico abdominal identifica-se uma massa estendendo-se da pelve à cicatriz umbilical. A ultrassonografia confirma a presença de uma massa predominantemente sólida ocupando a pelve, não há ascite ou alterações em abdome superior. As dosagens de marcadores tumorais mostram CA 125 com valor normal e alfafetoproteína com valor elevado.Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Adolescente + massa pélvica sólida + alfafetoproteína ↑ + CA 125 normal → Tumor de células germinativas.
A elevação da alfafetoproteína em uma adolescente com massa ovariana sólida é altamente sugestiva de tumor de células germinativas, como o tumor do saco vitelino. O CA 125 é mais associado a tumores epiteliais, que são menos comuns nessa faixa etária.
Tumores ovarianos em adolescentes são uma preocupação clínica importante, embora a maioria das massas ovarianas nessa faixa etária seja benigna. A avaliação cuidadosa é crucial para identificar malignidades precocemente. Os tumores de células germinativas representam a maioria dos tumores ovarianos malignos em crianças e adolescentes, sendo o teratoma imaturo e o tumor do saco vitelino os mais comuns. O diagnóstico diferencial de uma massa pélvica em adolescentes inclui cistos funcionais, teratomas císticos benignos (cistos dermoides), endometriomas e tumores malignos. A ultrassonografia é o método de imagem inicial. Marcadores tumorais como alfafetoproteína (AFP), beta-hCG e CA 125 são essenciais para a investigação. AFP elevada sugere tumor do saco vitelino ou teratoma imaturo, enquanto beta-hCG pode indicar coriocarcinoma ou disgerminoma. CA 125 é mais associado a tumores epiteliais, raros em adolescentes. A conduta depende do tipo e estágio do tumor. Tumores de células germinativas malignos geralmente requerem cirurgia (salvamento ovariano sempre que possível) e quimioterapia adjuvante. O prognóstico é geralmente bom, especialmente com diagnóstico e tratamento precoces. É fundamental a abordagem multidisciplinar para otimizar os resultados e preservar a fertilidade.
Em adolescentes, a alfafetoproteína (AFP) e a beta-hCG são cruciais para tumores de células germinativas. O CA 125 é mais relevante para tumores epiteliais, menos comuns nessa faixa etária.
A elevação da alfafetoproteína é um marcador característico de tumores de células germinativas, especialmente o tumor do saco vitelino (endodérmico), que é uma das hipóteses mais prováveis neste cenário clínico.
A diferenciação envolve a idade da paciente, características da massa na imagem (sólida, cística), e principalmente os marcadores tumorais séricos, que guiam a suspeita etiológica.
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