HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2023
Homem, 26 anos, ex-tabagista, vai ao pronto atendimento por quadro de dor abdominal há 4 meses. Perda de 12kg no período e aumento do volume abdominal há 2 semanas. Sem comorbidades prévias, ao exame físico, emagrecido, descorado +/4+, desidratado +/4+, afebril. Abdômen com massa volumosa endurecida e doloroso a palpação sem sinais de peritonite em quadrantes superiores. Aos exames complementares realizou tomografia de abdômen que evidenciou - massa peripancreática de 12 cm no maior diâmetro com características sugestivas de neoplasia. Exames laboratoriais - βHCG: 400.809mUI/mL ( referência < 5 MUI/mL), αfetoproteína 842ng/mL. Biópsia da massa revelou carcinoma pouco diferenciado. De acordo com o caso, escolha a alternativa mais adequada:
Jovem masculino + massa de linha média + ↑ βHCG/αfetoproteína → excluir tumor de células germinativas extragonadal (ou testicular metastático).
Em um homem jovem com massa em linha média (peripancreática) e elevações marcantes de βHCG e αfetoproteína, a principal hipótese diagnóstica, mesmo com biópsia inicial inespecífica, é um tumor de células germinativas extragonadal. Esses marcadores são cruciais para o diagnóstico e monitoramento desses tumores, que podem ter origem primária em locais como mediastino ou retroperitônio, ou serem metástases de um tumor testicular oculto.
Tumores de células germinativas extragonadais são neoplasias raras que surgem fora das gônadas, mais frequentemente na linha média do corpo, como mediastino ou retroperitônio. Eles são mais comuns em homens jovens e se caracterizam pela elevação de marcadores tumorais como a beta-HCG e a alfa-fetoproteína. A presença de uma massa peripancreática em um homem de 26 anos com perda de peso e elevações tão expressivas desses marcadores deve imediatamente levantar a suspeita de um tumor de células germinativas, mesmo que a biópsia inicial seja de "carcinoma pouco diferenciado". A fisiopatologia desses tumores está ligada a células germinativas primordiais que não migraram corretamente durante o desenvolvimento embrionário ou a metástases de um tumor testicular primário, muitas vezes oculto. O diagnóstico é complexo e exige uma investigação completa, incluindo exames de imagem para localizar o tumor e, se possível, biópsia para confirmação histopatológica. A elevação dos marcadores tumorais é um pilar diagnóstico e prognóstico, sendo também utilizada para monitorar a resposta ao tratamento. O tratamento dos tumores de células germinativas extragonadais geralmente envolve quimioterapia baseada em platina, com altas taxas de resposta, especialmente para seminomas. Em alguns casos, a cirurgia pode ser necessária para ressecção de doença residual. É fundamental que o médico esteja atento a essa possibilidade diagnóstica em pacientes jovens com massas de linha média e marcadores tumorais elevados, pois o reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para o prognóstico.
Os marcadores tumorais mais importantes são a beta-HCG (gonadotrofina coriônica humana) e a alfa-fetoproteína (AFP). Elevações significativas de ambos, especialmente em um homem jovem com massa em linha média, são altamente sugestivas de tumor de células germinativas.
Tumores de células germinativas extragonadais podem surgir em diversas localizações da linha média, como mediastino (mais comum), retroperitônio, região pineal e suprasselar. Embora menos comum, também podem ser encontrados no pescoço, fígado ou bexiga.
É crucial excluir um tumor testicular primário, mesmo que oculto, pois a maioria dos tumores de células germinativas extragonadais são, na verdade, metástases de um tumor testicular. A identificação do primário pode influenciar o estadiamento e o plano de tratamento.
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