Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
Homem de 63 anos, tabagista, com queixa de dispneia e tosse seca há 15 dias, sem perda ponderal. Apresentava-se em bom estado geral e exame fisico sem alterações significativas. A tomografia de tórax demonstrou massa pulmonar central no lobo superior direito (imagens abaixo). Biópsia revelou tumor neuroendocrino bem diferenciado (carcinoide típico). Com base no quadro e nas imagens, a conduta terapêutica mais adequada, dentre as abaixo, é:
Carcinoide típico pulmonar → Ressecção cirúrgica com preservação de parênquima + Linfadenectomia.
Carcinoides típicos são tumores neuroendócrinos de baixo grau com excelente prognóstico. O tratamento de escolha é a cirurgia conservadora, visando poupar parênquima pulmonar funcional.
Os tumores carcinoides representam cerca de 1-2% de todas as neoplasias pulmonares e fazem parte do espectro de tumores neuroendócrinos (que inclui também o carcinoma de pequenas células). O carcinoide típico é o mais comum e está frequentemente localizado centralmente nos brônquios, podendo causar obstrução, pneumonia pós-obstrutiva ou hemoptise. Diferente do câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP) tabaco-dependente, o carcinoide típico tem uma associação muito mais fraca com o tabagismo e ocorre em pacientes mais jovens. A cirurgia é curativa na vasta maioria dos casos, com sobrevida em 10 anos superior a 90%, tornando a preservação da função pulmonar um objetivo terapêutico central.
A distinção é histopatológica: o carcinoide típico apresenta menos de 2 mitoses por 2mm² e ausência de necrose, enquanto o atípico apresenta de 2 a 10 mitoses ou presença de necrose focal. O tipo atípico tem comportamento mais agressivo e maior chance de metástases.
Como o carcinoide típico é um tumor de baixo grau de malignidade, crescimento lento e baixo índice de invasão local agressiva, técnicas como a ressecção em luva (sleeve resection) permitem a cura oncológica mantendo a função respiratória do paciente, evitando pneumonectomias desnecessárias.
A linfadenectomia hiliar e mediastinal é essencial para o estadiamento patológico preciso (N), mesmo em tumores de baixo grau. A presença de metástases linfonodais, embora menos comum no tipo típico, altera o prognóstico e pode guiar o seguimento pós-operatório.
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