SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Homem, 62 anos estava sendo operado de uma hérnia inguinal eletiva quando observouse que se tratava de uma hernia de Amyand, O apêndice vermiforme não estava inflamado, mas havia a presença de uma lesão nodular em seu ápice, com cerca de 1,5 cm, optando-se pela apendicectomia. Ao retornar ao ambulatório de cirurgia com o resultado da biópsia, esta mostrou os seguintes achados: "lesão neoplásica com 1,2 cm de diâmetro, predominantemente caracterizada como tumor carcinoide, apresentando componente mucinoso de células pequenas, margens livres, infiltrando até a muscular própria do órgão e sem invasão angiolinfática ou perineural. Encontrado um linfonodo que não estava acometido de doença. Foram solicitados exames de estadiamento (antígeno carcinoembrionário - CEA, tomografia de tórax e abdome) que foram normais. Com base na situação clínica descrita, qual deve ser a próxima conduta?
Carcinoide de apêndice 1-2cm + componente mucinoso/células caliciformes → Hemicolectomia direita.
Embora a maioria dos carcinoides apendiculares < 2cm seja tratada apenas com apendicectomia, a presença de histologia agressiva (componente mucinoso ou células caliciformes) exige ampliação de margem com hemicolectomia.
O tumor neuroendócrino (carcinoide) é a neoplasia mais comum do apêndice, frequentemente descoberta de forma incidental em apendicectomias. A decisão entre apendicectomia isolada e hemicolectomia direita baseia-se no risco de metástase linfonodal. Tumores menores que 1 cm raramente metastatizam, enquanto aqueles maiores que 2 cm têm alto risco. No intervalo de 1 a 2 cm, a análise histopatológica detalhada é crucial. A presença de invasão da muscular própria, embora citada no caso, é comum, mas o 'componente mucinoso de células pequenas' sugere uma variante de células caliciformes, que é uma indicação absoluta para ampliação cirúrgica devido ao seu comportamento infiltrativo e prognóstico reservado se tratada apenas com apendicectomia.
A Hérnia de Amyand é definida pela presença do apêndice cecal (vermiforme) dentro do saco herniário de uma hérnia inguinal. Pode apresentar-se com apendicite aguda, perfuração ou, como no caso clínico, como um achado incidental durante uma herniorrafia eletiva. O manejo depende do estado inflamatório do apêndice e da presença de patologias associadas, como neoplasias.
A hemicolectomia direita é indicada em tumores neuroendócrinos (carcinoides) do apêndice quando: o tamanho é maior que 2 cm; o tamanho está entre 1 e 2 cm mas apresenta fatores de risco (invasão do mesoapêndice, histologia de alto grau, invasão linfovascular, ou localização na base do apêndice); ou quando há histologia agressiva associada, como o componente de células caliciformes (goblet cell) ou mucinoso.
O componente mucinoso ou de células caliciformes (Goblet Cell Adenocarcinoma) confere ao tumor um comportamento biológico muito mais agressivo do que o tumor carcinoide clássico (bem diferenciado). Essas lesões têm maior potencial de disseminação linfonodal e peritoneal, assemelhando-se mais ao adenocarcinoma colônico, o que justifica a necessidade de uma cirurgia oncológica radical com linfadenectomia (hemicolectomia direita).
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