UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023
Paciente de 70 anos é internado por síndrome consumptiva; constata-se também que o paciente está ictérico e nota-se uma massa visível, de limites precisos e indolor à palpação, localizada no hipocôndrio direito. O diagnóstico provável neste caso, é:
Icterícia indolor + massa palpável em HD (Courvoisier) + síndrome consumptiva = forte suspeita de tumor de cabeça de pâncreas.
A tríade de icterícia obstrutiva indolor, massa palpável no hipocôndrio direito (sinal de Courvoisier-Terrier) e síndrome consumptiva em um paciente idoso é altamente sugestiva de tumor na cabeça do pâncreas. Essa localização do tumor obstrui o ducto biliar comum, causando icterícia, e a natureza maligna leva à perda de peso e fraqueza.
O adenocarcinoma de pâncreas é uma neoplasia maligna agressiva, com prognóstico geralmente reservado, sendo a maioria dos casos diagnosticada em estágios avançados. A localização do tumor na cabeça do pâncreas é a mais comum (cerca de 70% dos casos) e frequentemente se manifesta com sintomas que levam à suspeita clínica. Para residentes e estudantes, o reconhecimento precoce dos sinais e sintomas é crucial para um diagnóstico e manejo adequados. A apresentação clínica clássica de um tumor na cabeça do pâncreas inclui a síndrome consumptiva (perda de peso inexplicável, anorexia, astenia), icterícia obstrutiva indolor e, em muitos casos, o sinal de Courvoisier-Terrier. A icterícia é indolor porque a obstrução do ducto biliar comum é geralmente progressiva e não associada a inflamação aguda, permitindo a distensão da vesícula biliar. A massa visível e indolor no hipocôndrio direito corresponde à vesícula biliar distendida. Tumores no corpo ou cauda do pâncreas tendem a ser assintomáticos por mais tempo, manifestando-se com dor abdominal ou síndrome consumptiva, mas raramente com icterícia precoce. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem como ultrassonografia abdominal, tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) com colangiopancreatografia (CPRM). A biópsia é essencial para confirmação histopatológica. O tratamento pode envolver cirurgia (pancreatoduodenectomia ou cirurgia de Whipple para tumores ressecáveis), quimioterapia e radioterapia. O prognóstico depende do estágio da doença ao diagnóstico, sendo a detecção precoce fundamental para melhores resultados.
O sinal de Courvoisier-Terrier é a presença de uma vesícula biliar palpável, distendida e indolor, associada à icterícia. Ele é altamente sugestivo de obstrução do ducto biliar comum por uma causa maligna extrínseca, como um tumor na cabeça do pâncreas ou da ampola de Vater, e não por cálculos biliares.
O tumor na cabeça do pâncreas, ao crescer, comprime o ducto biliar comum (colédoco) que passa por essa região, causando obstrução. A icterícia é indolor porque a obstrução é gradual, permitindo que a vesícula biliar se distenda sem inflamação aguda, ao contrário da dor intensa associada a cálculos biliares.
Além da icterícia e da síndrome consumptiva (perda de peso, anorexia), outros sintomas podem incluir dor abdominal inespecífica que irradia para as costas, esteatorreia (devido à insuficiência pancreática exócrina), diabetes mellitus de início recente e tromboflebite migratória (sinal de Trousseau).
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