Preservação da Fertilidade no Câncer de Ovário

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026

Enunciado

Em relação à possibilidade de preservação da fertilidade em mulher com câncer de ovário sem prole definida é necessário que:

Alternativas

  1. A) Se realize a cirurgia de second look 6 meses após a ooforectomia.
  2. B) O carcinoma epitelial seja no estádio IA G1-3 com biópsia contralateral negativa.
  3. C) O tumor germinativo maligno tenha biópsia contralateral negativa.
  4. D) O tumor seja boderline nos estádios I a III.
  5. E) O tumor boderline tenha biópsia contralateral negativa.

Pérola Clínica

Tumores Borderline (estádios I-III) permitem cirurgia conservadora para preservação da fertilidade.

Resumo-Chave

Em tumores de baixo potencial de malignidade (borderline), a preservação uterina e do ovário contralateral é possível mesmo em estádios avançados, devido ao comportamento menos agressivo.

Contexto Educacional

A preservação da fertilidade em oncologia ginecológica é um desafio que equilibra a segurança oncológica com o desejo reprodutivo da paciente. No câncer de ovário, a decisão depende crucialmente do tipo histológico e do estadiamento. Enquanto carcinomas epiteliais invasores exigem critérios estritos (IA G1), os tumores borderline e germinativos permitem uma abordagem muito mais conservadora. O estadiamento cirúrgico completo, incluindo citologia peritoneal, biópsias peritoneais e omentectomia, permanece essencial para garantir que a doença oculta não seja negligenciada. A paciente deve ser informada sobre o risco de recorrência no ovário remanescente e a necessidade de acompanhamento pós-operatório rigoroso.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para preservação da fertilidade no carcinoma epitelial?

No carcinoma epitelial invasor de ovário, a preservação da fertilidade (salpingo-ooforectomia unilateral com estadiamento completo) é restrita a casos muito selecionados: estádio IA, grau 1 (G1) ou tipo histológico de baixo grau, em pacientes que desejam manter a prole e aceitam o seguimento rigoroso. Qualquer grau de invasão capsular ou doença extra-ovariana geralmente contraindica a conservação no tipo epitelial invasor.

Por que tumores borderline permitem conduta conservadora em estádios avançados?

Os tumores borderline (baixo potencial de malignidade) possuem um comportamento biológico indolente e excelente prognóstico, mesmo quando apresentam implantes peritoneais (estádios II e III). Por não invadirem o estroma, a cistectomia ou ooforectomia unilateral com preservação do útero e do outro ovário é segura, desde que o estadiamento peritoneal seja realizado e não haja implantes invasivos.

Como é feita a preservação em tumores germinativos?

Os tumores germinativos malignos do ovário são geralmente unilaterais e altamente quimiossensíveis. Por isso, a cirurgia conservadora (preservando o útero e o ovário contralateral) é o padrão de tratamento para todas as pacientes que desejam manter a fertilidade, independentemente do estádio clínico, uma vez que a quimioterapia adjuvante (BEP) é eficaz no controle de doença residual.

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