Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
Em relação à possibilidade de preservação da fertilidade em mulher com câncer de ovário sem prole definida é necessário que:
Tumores Borderline (estádios I-III) permitem cirurgia conservadora para preservação da fertilidade.
Em tumores de baixo potencial de malignidade (borderline), a preservação uterina e do ovário contralateral é possível mesmo em estádios avançados, devido ao comportamento menos agressivo.
A preservação da fertilidade em oncologia ginecológica é um desafio que equilibra a segurança oncológica com o desejo reprodutivo da paciente. No câncer de ovário, a decisão depende crucialmente do tipo histológico e do estadiamento. Enquanto carcinomas epiteliais invasores exigem critérios estritos (IA G1), os tumores borderline e germinativos permitem uma abordagem muito mais conservadora. O estadiamento cirúrgico completo, incluindo citologia peritoneal, biópsias peritoneais e omentectomia, permanece essencial para garantir que a doença oculta não seja negligenciada. A paciente deve ser informada sobre o risco de recorrência no ovário remanescente e a necessidade de acompanhamento pós-operatório rigoroso.
No carcinoma epitelial invasor de ovário, a preservação da fertilidade (salpingo-ooforectomia unilateral com estadiamento completo) é restrita a casos muito selecionados: estádio IA, grau 1 (G1) ou tipo histológico de baixo grau, em pacientes que desejam manter a prole e aceitam o seguimento rigoroso. Qualquer grau de invasão capsular ou doença extra-ovariana geralmente contraindica a conservação no tipo epitelial invasor.
Os tumores borderline (baixo potencial de malignidade) possuem um comportamento biológico indolente e excelente prognóstico, mesmo quando apresentam implantes peritoneais (estádios II e III). Por não invadirem o estroma, a cistectomia ou ooforectomia unilateral com preservação do útero e do outro ovário é segura, desde que o estadiamento peritoneal seja realizado e não haja implantes invasivos.
Os tumores germinativos malignos do ovário são geralmente unilaterais e altamente quimiossensíveis. Por isso, a cirurgia conservadora (preservando o útero e o ovário contralateral) é o padrão de tratamento para todas as pacientes que desejam manter a fertilidade, independentemente do estádio clínico, uma vez que a quimioterapia adjuvante (BEP) é eficaz no controle de doença residual.
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