Tuberculose Pediátrica: Diagnóstico e Tratamento em Crianças

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 2 anos de idade, previamente vacinado contra tuberculose, iniciou quadro de febre, tosse, dispneia e adinamia há 4 semanas. Inicialmente tratado como pneumonia, porém sem melhora do quadro clínico. Realizou tomografia de tórax que revelou condensações difusas associadas a nódulos centro lobulares (padrão de “árvore em fluorescência”), presença de pequena cavitação em ápice de hemitórax esquerdo. Mãe em tratamento para tuberculose há 4 meses. Com base nas informações apresentadas, analise as afirmativas seguintes.I. Trata-se de um caso confirmado de tuberculose.II. O diagnóstico de tuberculose é tido como possível na interpretação do score.III. O PPD só seria considerado se maior ou igual a 10 mm, visto vacinação prévia.IV. O tratamento deve ser realizado sem etambutol.V. Há risco de hepatotoxicidade durante o tratamento.Estão corretas

Alternativas

  1. A) II e IV, apenas.
  2. B) I e IV, apenas.
  3. C) II e III, apenas.
  4. D) IV e V, apenas.
  5. E) II, III e IV, apenas.

Pérola Clínica

Tuberculose infantil: contato + clínica + imagem (árvore em brotamento) + PPD ≥ 5mm (vacinado ou não) = alta suspeita.

Resumo-Chave

Em crianças, o diagnóstico de tuberculose é desafiador e frequentemente baseado em critérios clínicos, epidemiológicos e radiológicos, especialmente na presença de um contato domiciliar. O padrão de "árvore em brotamento" na TC é altamente sugestivo. O tratamento em < 10 anos geralmente exclui etambutol devido à dificuldade de monitoramento da toxicidade ocular.

Contexto Educacional

A tuberculose (TB) em crianças representa um desafio diagnóstico e terapêutico significativo, especialmente em países de alta endemicidade. Diferente dos adultos, a TB infantil é frequentemente paucibacilar, tornando o isolamento do Mycobacterium tuberculosis mais difícil. O diagnóstico baseia-se em uma combinação de fatores: história de contato com um caso bacilífero (como a mãe em tratamento), quadro clínico (febre, tosse, dispneia, adinamia prolongados), achados radiológicos (condensações, nódulos centrolobulares com padrão de "árvore em brotamento" e cavitação na TC), e o teste tuberculínico (PPD). A interpretação do PPD em crianças vacinadas com BCG é crucial; um PPD ≥ 5mm em crianças com contato e suspeita clínica já é considerado positivo. O padrão de "árvore em brotamento" na tomografia de tórax é um forte indicativo de TB ativa, refletindo a disseminação broncogênica da doença. A afirmativa I está incorreta, pois o caso é altamente provável, mas não "confirmado" sem isolamento bacteriológico. A afirmativa II está incorreta, pois o score diagnóstico é para casos "possíveis", mas com tantos dados, a suspeita é muito alta, quase um caso "provável" ou "muito provável" dependendo do score utilizado. O tratamento da tuberculose em crianças segue esquemas padronizados, mas com adaptações. Para crianças menores de 10 anos, o etambutol é geralmente omitido do esquema inicial (RIPE - Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida, Etambutol) devido ao risco de neurite óptica e à dificuldade de monitorar a acuidade visual nessa faixa etária, tornando a afirmativa IV correta. A hepatotoxicidade é um efeito adverso comum de vários antituberculostáticos (isoniazida, pirazinamida, rifampicina), exigindo monitoramento da função hepática durante o tratamento, o que valida a afirmativa V.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados radiológicos da tuberculose pulmonar em crianças?

Em crianças, a tuberculose pulmonar pode apresentar adenomegalias hilares e mediastinais, infiltrados parenquimatosos, atelectasias e, em casos mais avançados, cavitações. O padrão de "árvore em brotamento" na TC é altamente sugestivo de doença ativa.

Por que o etambutol é evitado no tratamento da tuberculose em crianças pequenas?

O etambutol é evitado em crianças menores de 10 anos devido ao risco de toxicidade ocular (neurite óptica), que é difícil de monitorar em pacientes que não conseguem relatar sintomas visuais de forma confiável.

Como é feito o diagnóstico de tuberculose em crianças, considerando a dificuldade de isolamento bacteriológico?

O diagnóstico em crianças é frequentemente baseado em um conjunto de critérios: história de contato com adulto bacilífero, quadro clínico sugestivo, achados radiológicos compatíveis e teste tuberculínico (PPD) positivo. A cultura de escarro ou lavado gástrico é tentada, mas nem sempre positiva.

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