SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2021
Escolar de 7 anos é levado à consulta ambulatorial de rotina por tosse persistente há quase dois meses, que piora com o decorrer dos dias, e emagrecimento. Devido ao quadro, foi internado com diagnóstico de “princípio de pneumonia”, sendo administrada amoxicilina 50mg/kg/dia por 10 dias, sem qualquer tipo de melhora. O exame físico está normal com escores-Z P/I = - 2,03, E/I = - 0,56 e IMC/I = - 2,07. O raio X de tórax evidencia infiltrado intersticial à direita, em ápice, com adenomegalia hilar ipsilateral. Há prova tuberculínica com 12mm, sem evidência de contato com adulto com tuberculose nos últimos dois anos. O diagnóstico e tratamento do quadro apresentado, respectivamente, são:
Criança com tosse crônica, emagrecimento, RX com infiltrado apical/adenomegalia hilar e PPD positivo → Tuberculose Pulmonar. Tratamento: RHZ por 2 meses + RH por 4 meses.
O quadro clínico de tosse persistente, emagrecimento, falha terapêutica com antibióticos comuns, PPD reator e achados radiológicos como infiltrado apical e adenomegalia hilar em criança é altamente sugestivo de tuberculose pulmonar ativa. O tratamento padrão para tuberculose pulmonar em crianças é o esquema RHZ (Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida) por 2 meses, seguido de RH (Rifampicina, Isoniazida) por 4 meses.
A tuberculose (TB) em crianças é um desafio diagnóstico e terapêutico, frequentemente subestimado. Diferente dos adultos, a apresentação clínica pode ser mais inespecífica, e o diagnóstico bacteriológico é mais difícil devido à paucibacilaridade. A TB pulmonar é a forma mais comum em pediatria, e sua identificação precoce é vital para interromper a cadeia de transmissão e prevenir formas graves da doença. É um tema de grande importância em saúde pública e para a formação de residentes. O diagnóstico da TB pulmonar em crianças baseia-se em uma combinação de fatores: história clínica (tosse crônica, emagrecimento, febre), achados epidemiológicos (contato com adulto bacilífero, embora nem sempre evidente), prova tuberculínica (PPD) reatora e achados radiológicos. O raio X de tórax pode revelar infiltrados, adenomegalias hilares ou mediastinais e, em casos mais avançados, cavitações ou atelectasias. A falha de resposta a antibióticos comuns para infecções respiratórias deve levantar a suspeita de TB. O tratamento da TB pulmonar em crianças segue o mesmo princípio dos adultos, com um esquema politerápico para evitar o desenvolvimento de resistência. O esquema padrão é de 6 meses, dividido em uma fase intensiva (2 meses com Rifampicina, Isoniazida e Pirazinamida) e uma fase de manutenção (4 meses com Rifampicina e Isoniazida). A adesão rigorosa ao tratamento é crucial, e o acompanhamento é necessário para monitorar a resposta e os efeitos adversos dos medicamentos. Residentes devem estar aptos a suspeitar, diagnosticar e iniciar o tratamento adequado da TB pediátrica.
Em crianças, a tuberculose pulmonar pode se manifestar com tosse persistente (mais de 3-4 semanas), febre baixa e vespertina, sudorese noturna, perda de peso ou falha no ganho de peso, e fadiga. O quadro pode ser insidioso e inespecífico, dificultando o diagnóstico.
Um PPD com enduração ≥ 5 mm é considerado positivo em crianças com contato intradomiciliar com TB, imunocomprometidas ou com alterações radiológicas sugestivas. Em crianças sem esses fatores de risco, um PPD ≥ 10 mm é geralmente considerado positivo. O PPD indica infecção, não necessariamente doença ativa.
O tratamento padrão é o esquema RHZ (Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida) por 2 meses na fase intensiva, seguido de RH (Rifampicina, Isoniazida) por 4 meses na fase de manutenção, totalizando 6 meses. A adesão ao tratamento é fundamental para a cura e prevenção de resistência.
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