UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Lactente de 5 meses, internada por quadro de dispneia e sibilância, sem febre, inapetência ou perda de peso. Fez uso de antibiótico, por sete dias, para tratar possível pneumonia. Após duas semanas da alta hospitalar, manteve os sintomas e apresentou febre ao entardecer e taquidispneia, então foi reinternada. Exame físico: desconforto respiratório com tiragem subcostal; à ausculta, MV reduzido em base esquerda e crepitações, principalmente em hemitórax esquerdo. Necessitou de oxigenoterapia com cateter nasal e de prescrição de antibióticos. Exames complementares: raio X (figura a seguir). AP: hígida, peso no percentil 50 e comprimento no percentil 50-10.A: raio X em anteroposterior revelando opacidade em praticamente todo o pulmão esquerdo, poupando parte do lobo superior, obliterando contorno cardíaco.B: raio X em anteroposterior e perfil com a evolução 15 dias depois, evidenciando a resolução parcial do processo consolidativo, com surgimento de pequenas cavernas de permeio e alguns broncogramas aéreos.Para elucidação diagnóstica, as próximas condutas devem ser:
Pneumonia persistente em lactente com cavernas pulmonares e sem melhora com ATB → suspeitar de Tuberculose pulmonar.
A tuberculose pulmonar em lactentes pode mimetizar pneumonia bacteriana, especialmente quando há persistência dos sintomas e achados radiológicos atípicos como cavernas. A investigação deve ser ativa para TB, incluindo métodos diagnósticos específicos e busca de vínculos epidemiológicos.
A tuberculose (TB) em lactentes e crianças pequenas é uma forma grave da doença, frequentemente subdiagnosticada devido à apresentação clínica inespecífica e à dificuldade na obtenção de amostras para confirmação bacteriológica. É um indicador sensível da transmissão recente da doença na comunidade. A suspeita deve surgir em casos de pneumonia persistente, febre prolongada, perda de peso ou falha de crescimento, e achados radiológicos atípicos, como consolidações que não respondem a antibióticos comuns, adenopatias hilares ou, como no caso, formação de cavernas. A fisiopatologia da TB infantil difere da adulta, com maior propensão à doença disseminada ou formas graves como a meningite tuberculosa. O diagnóstico baseia-se em uma combinação de fatores: história de contato com adulto bacilífero, teste tuberculínico (PPD) ou IGRA, achados radiológicos sugestivos e, idealmente, confirmação bacteriológica. Em lactentes, a coleta de lavado gástrico é o método preferencial para obter amostras respiratórias, que devem ser submetidas a baciloscopia para BAAR, cultura e Teste Rápido Molecular para Tuberculose (TRM-TB), que detecta o DNA do M. tuberculosis e resistência à rifampicina. O tratamento da TB em crianças segue esquemas padronizados, geralmente com rifampicina, isoniazida e pirazinamida (RIP) na fase intensiva. É crucial conferir o status vacinal (BCG) e realizar triagem para HIV, que aumenta o risco de TB grave. A investigação de vínculos epidemiológicos, incluindo raio X de tórax e escarro materno e de outros contatos domiciliares, é fundamental para identificar a fonte de infecção e interromper a cadeia de transmissão. O manejo adequado e precoce é vital para prevenir sequelas graves e mortalidade.
O diagnóstico é desafiador devido à apresentação clínica inespecífica, dificuldade na coleta de amostras respiratórias e menor positividade da baciloscopia em comparação com adultos. A história de contato e achados radiológicos são cruciais.
Crianças pequenas geralmente não conseguem expectorar escarro. O lavado gástrico coleta secreções deglutidas que contêm bacilos, sendo uma amostra valiosa para baciloscopia, cultura e testes moleculares como o TRM-TB.
A tuberculose em crianças é quase sempre resultado de transmissão recente de um adulto bacilífero. Identificar a fonte de infecção é fundamental para o controle da doença, tratamento do contato e prevenção de novas infecções.
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