SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024
Lana, de 3 anos, é trazida para atendimento na UBS por sua avó, dona Benzarina. A avó relata que a criança falta recorrentemente à escola por “estar sempre gripada”. Queixa-se de que “a menina está sempre com nariz escorrendo e tossindo”, que “toda noite ela dorme mal, com crises de tosse”, que “a menina está tossindo todos os dias, há pelo menos um mês, uma tosse seca horrível”, que “o tempo não pode mudar, que a criança começa a espirrar e tossir”, e que “só esse ano ela já precisou tomar antibiótico três vezes, tudo de tipo diferente, passado pelo médico do posto de saúde, por gripe mal curada”. Por fim, relata que o quadro piorou desde que Tales, tio de Lana, voltou a morar com elas, há 6 meses, depois de cumprir pena de privação provisória de liberdade. Tales apresenta sintomas semelhantes e fuma todos os dias. A investigação complementar para esclarecer os diagnósticos diferenciais do quadro respiratório de Lana deve ser composta, fundamentalmente, de quais exames?
Criança com tosse crônica e contato com adulto sintomático/risco → PPD e RX tórax para TB.
A história de tosse crônica em criança, associada a contato domiciliar com adulto sintomático e histórico de privação de liberdade (fator de risco para TB), torna a investigação de tuberculose pulmonar prioritária. PPD e radiografia de tórax são os exames iniciais para rastreio e diagnóstico em crianças.
A tosse crônica em crianças é um desafio diagnóstico comum na atenção primária. É definida como tosse que persiste por mais de 4 semanas e exige uma investigação sistemática para identificar a causa subjacente. A epidemiologia da tuberculose (TB) infantil é diretamente ligada à prevalência da doença em adultos na comunidade, sendo o contato domiciliar um dos principais fatores de risco. A importância clínica reside em diagnosticar precocemente condições graves como a TB, prevenindo complicações e a disseminação da doença. A fisiopatologia da tosse crônica pode variar amplamente, desde processos inflamatórios alérgicos (asma, rinite) até infecções crônicas. No contexto de exposição a um adulto com fatores de risco para TB (como histórico de privação de liberdade e sintomas respiratórios), a suspeita de tuberculose deve ser elevada. O diagnóstico inicial em crianças frequentemente envolve a prova tuberculínica (PPD) para avaliar a infecção e a radiografia de tórax para identificar lesões pulmonares. Outros exames podem ser necessários dependendo da suspeita clínica, como espirometria para asma ou testes para refluxo. O tratamento da tosse crônica é etiológico. No caso de TB, o tratamento é com esquema polifarmacológico específico. Para asma, envolve broncodilatadores e corticoides inalatórios. O prognóstico depende do diagnóstico e início precoce do tratamento. Pontos de atenção incluem a necessidade de uma anamnese detalhada, incluindo histórico familiar e social, e a consideração de causas infecciosas graves, mesmo em quadros que inicialmente parecem benignos, especialmente em populações de risco.
Sinais de alerta incluem tosse persistente por mais de 3-4 semanas, febre vespertina, perda de peso, sudorese noturna e, crucialmente, contato com adultos sintomáticos ou com histórico de risco para tuberculose.
O PPD avalia a resposta imune ao bacilo, indicando infecção prévia ou atual, enquanto a radiografia de tórax busca alterações pulmonares sugestivas da doença. Juntos, são ferramentas de rastreio e diagnóstico complementares e de baixo risco em pediatria.
Os diagnósticos diferenciais são amplos e incluem asma, rinite alérgica, bronquiolite obliterante, fibrose cística, aspiração de corpo estranho, refluxo gastroesofágico e, como no caso, infecções como a tuberculose.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo