HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020
André, 10 anos, é trazido pela mãe à UBS para consulta. Segundo relato da mãe, André está com febre vespertina, associada a sudorese profusa e tosse há cerca de 18 dias. Relata ainda que já levou a criança duas vezes ao pronto- socorro com medo de ser tuberculose, já que o marido concluiu o tratamento para essa doença há cerca de 6 meses, quando André inclusive foi revacinado com BCG. Logo no início do quadro, a criança realizou uma radiografia de tórax na urgência que indicou uma condensação, para a qual foi prescrita antibioticoterapia ambulatorial. Após uso adequado do medicamento, sem melhora, voltou ao pronto-socorro. Na segunda ida, foi repetida a radiografia de tórax e realizada prova tuberculínica e baciloscopia, conforme resultados apresentados abaixo. Radiografia de tórax: Presença de adenomegalia hilar. Condensação sem escavação, sem melhora quando comparada a radiografia prévia, realizada há 2 semanas. Prova tuberculínica: 12 mm. Baciloscopia: Negativa. Considerando o quadro clínico, a epidemiologia e os achados dos exames complementares, assinale a alternativa correta.
TB pediátrica: contato + clínica + RX (adenomegalia) + PPD > 10mm (vacinado) → Alta probabilidade, mesmo com baciloscopia negativa.
Em crianças, o diagnóstico de tuberculose é desafiador devido à baciloscopia frequentemente negativa e à apresentação clínica atípica. A história de contato, sintomas arrastados, achados radiológicos como adenomegalia hilar e um PPD reator (especialmente >10mm em vacinados há mais de 2 anos ou com reforço) são cruciais para a suspeita e diagnóstico.
A tuberculose em crianças representa um desafio diagnóstico significativo, pois a apresentação clínica pode ser inespecífica e a baciloscopia de escarro, o método padrão em adultos, frequentemente resulta negativa devido à baixa carga bacilar e à dificuldade de coleta. A história de contato com um caso bacilífero é um fator epidemiológico de extrema relevância. O quadro clínico em André (febre vespertina, sudorese, tosse persistente) é altamente sugestivo. A radiografia de tórax com adenomegalia hilar e condensação sem escavação é um achado típico de tuberculose primária em crianças. A prova tuberculínica de 12 mm em uma criança vacinada com BCG há 6 meses é um resultado reator e indica infecção, sendo um forte indício de doença ativa, especialmente considerando o contexto epidemiológico e clínico. Portanto, mesmo com baciloscopia negativa, a combinação de contato, clínica compatível, achados radiológicos típicos e PPD reator torna o diagnóstico de tuberculose muito provável. O tratamento deve ser iniciado com base nesses critérios, sem aguardar a confirmação bacteriológica, que pode ser difícil de obter.
O diagnóstico em crianças baseia-se em uma combinação de história de contato com adulto bacilífero, quadro clínico sugestivo (febre, tosse prolongada, perda de peso), achados radiológicos (adenomegalia hilar, condensação) e prova tuberculínica reatora.
Em crianças vacinadas com BCG, um PPD ≥ 10 mm é considerado reator e sugere infecção tuberculosa. Valores entre 5-9 mm podem ser devido à vacina ou infecção, dependendo do tempo de vacinação e do risco.
A tuberculose em crianças, especialmente a forma primária, geralmente apresenta menor carga bacilar e lesões paucibacilares, tornando a baciloscopia de escarro menos sensível para o diagnóstico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo