INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Um homem com 24 anos de idade realiza acompanhamento médico regular na Unidade de Saúde da Família (USF) de referência. Possui diagnóstico de HIV há 1 ano, sendo acompanhado em Centro de Saúde de Referência municipal para HIV/AIDS. Hoje, busca atendimento na USF com queixa de perda de peso nos últimos 3 meses, nota que as bermudas estão folgadas. Durante a anamnese, informou que há 3 semanas está com tosse, ocasionalmente apresentando sudorese noturna. Traz consigo exames laboratoriais e de imagem realizados há cerca de 7 dias. Radiografia de tórax com presença de infiltrados e cavidades em lobo superior direito. Prova tuberculínica positiva. Baciloscopia de escarro com presença de raros bacilos álcool-ácido resistente (BAAR). A região onde se encontra a USF apresenta índices elevados de Tuberculose, Paracoccidioidomicose, Criptococose e Toxoplasmose.Diante do quadro apresentado, o novo diagnóstico e os exames complementares adequados para comprová-lo são, respectivamente,
Paciente HIV com tosse, perda de peso, sudorese noturna e infiltrados cavitários pulmonares + BAAR positivo → Tuberculose pulmonar.
A coinfecção HIV-TB é comum e grave. Os sintomas clássicos de TB (tosse, sudorese noturna, perda de peso) associados a infiltrados cavitários e BAAR positivo em paciente HIV são altamente sugestivos de tuberculose pulmonar. O diagnóstico definitivo requer TRM-TB, cultura e teste de sensibilidade.
A tuberculose (TB) é uma das principais causas de morbimortalidade em pessoas vivendo com HIV (PVHIV), sendo a coinfecção HIV-TB um desafio significativo de saúde pública. A imunossupressão causada pelo HIV aumenta o risco de reativação da TB latente e de progressão rápida para doença ativa, com apresentações clínicas que podem ser atípicas. É fundamental que residentes estejam aptos a diagnosticar e manejar essa coinfecção. A fisiopatologia da coinfecção envolve a interação entre os dois patógenos, onde o HIV acelera a progressão da TB e a TB pode acelerar a progressão da doença pelo HIV. O diagnóstico da TB pulmonar em PVHIV baseia-se em sintomas clínicos (tosse, febre, sudorese noturna, perda de peso), achados radiológicos (infiltrados, cavidades, linfonodomegalias) e exames laboratoriais. A baciloscopia de escarro pode ser negativa em até 50% dos casos devido à menor carga bacilar. Para confirmar o diagnóstico e guiar o tratamento, são recomendados o Teste Rápido Molecular para Tuberculose (TRM-TB), que detecta o DNA do M. tuberculosis e mutações associadas à resistência à rifampicina, a cultura de escarro (padrão ouro) e o teste de sensibilidade aos fármacos. O tratamento deve ser iniciado prontamente, com esquemas específicos e monitoramento rigoroso para evitar interações medicamentosas com a terapia antirretroviral e a síndrome inflamatória de reconstituição imune (IRIS).
Os sintomas incluem tosse persistente (por mais de 3 semanas), febre, sudorese noturna, perda de peso, fadiga e, em casos avançados, dispneia e dor torácica.
O TRM-TB é crucial por sua alta sensibilidade e especificidade, além de detectar rapidamente a resistência à rifampicina, permitindo um tratamento mais eficaz e precoce, especialmente em pacientes com HIV.
Além da baciloscopia de escarro, são essenciais o TRM-TB, a cultura de escarro para identificação da espécie de micobactéria e o teste de sensibilidade aos fármacos para guiar o tratamento.
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