HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2020
Paciente com 66 anos, etilista, admitido no PS com relato de tosse produtiva (secreção amarela espessa) há 21 dias, dispneia a médios esforços e febre intermitente diária, sem horário predominante, perda ponderal não quantificada. Relata ter feito uso de amoxicilina clavulanato por 7 dias, sem melhora. Na admissão, estava normotenso e com dispneia leve. Qual seria a propedêutica inicial adequada:
Tosse > 3 semanas + febre + perda peso + etilismo + falha ATB → investigar Tuberculose (BAAR escarro + Rx tórax).
Um paciente com tosse produtiva crônica, febre intermitente, perda ponderal, etilismo e falha a antibiótico comum levanta forte suspeita de tuberculose pulmonar, necessitando de investigação completa que inclua exames laboratoriais, imagem e pesquisa de BAAR no escarro.
A tosse produtiva crônica, definida como tosse que persiste por mais de três semanas, acompanhada de sintomas sistêmicos como febre intermitente e perda ponderal, especialmente em um paciente etilista, deve levantar uma forte suspeita de tuberculose pulmonar. O etilismo é um fator de risco bem estabelecido para tuberculose, pois compromete a imunidade e pode levar a condições socioeconômicas que favorecem a exposição e a progressão da doença. A falha terapêutica com um antibiótico de uso comum, como amoxicilina clavulanato, por um período de 7 dias, é um indicativo de que a infecção pode não ser causada por bactérias típicas sensíveis a esse medicamento. Nesses casos, a investigação deve ser ampliada para incluir patógenos atípicos ou doenças crônicas. A tuberculose, com sua apresentação insidiosa e sintomas constitucionais, se encaixa perfeitamente nesse cenário. A propedêutica inicial deve ser abrangente para avaliar a extensão da doença e confirmar o diagnóstico. A radiografia de tórax é fundamental para identificar infiltrados, cavitações ou outras alterações pulmonares sugestivas. Exames laboratoriais como hemograma, ureia e creatinina, e gasometria arterial fornecem informações sobre o estado geral do paciente e possíveis complicações. No entanto, o exame mais crucial para o diagnóstico etiológico da tuberculose é a pesquisa de BAAR (bacilo álcool-ácido resistente) no escarro, preferencialmente em três amostras, e a cultura para micobactérias, que permite a identificação da espécie e o teste de sensibilidade.
Sinais de alerta incluem tosse produtiva por mais de 3 semanas, febre vespertina, sudorese noturna, perda ponderal, astenia e dispneia. Fatores de risco como etilismo, imunossupressão e contato com casos conhecidos aumentam a suspeita.
A propedêutica inicial deve incluir radiografia de tórax, hemograma, ureia e creatinina, gasometria arterial e, crucialmente, a coleta de escarro para pesquisa de BAAR (baciloscopia direta) e cultura para micobactérias. Hemocultura pode ser útil para descartar outras infecções.
A falha de um antibiótico de amplo espectro como amoxicilina clavulanato em um quadro de tosse produtiva e sintomas sistêmicos por 21 dias sugere que a etiologia não é bacteriana comum, reforçando a necessidade de investigar causas atípicas, como a tuberculose.
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