SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2026
De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil está entre os 30 países com alta carga para tuberculose. Sobre a doença, quais alternativas estão corretas? I. A tuberculose pulmonar é a forma de apresentação mais frequente, considerando sintomáticos respiratórios aqueles indivíduos que apresentam tosse por um período de, pelo menos, 4 semanas. II. Os principais sintomas da tuberculose são febre vespertina, perda ponderal e sudorese, sendo a tosse um sintoma existente apenas na forma pulmonar da doença. III. A tuberculose pulmonar primária acontece após o primeiro contato do indivíduo com o bacilo, sendo mais comum em adultos. IV. O teste rápido molecular é o padrão ouro para diagnóstico em crianças menores de 10 anos.
Diagnóstico de TB em crianças é prioritariamente clínico-radiológico (sistema de escore) devido à baixa carga bacilar.
As definições de sintomático respiratório variam conforme o grupo de risco, a tosse ocorre em diversas formas de TB e o diagnóstico infantil depende de um sistema de escores, não apenas do TRM-TB.
A tuberculose continua sendo uma das doenças infecciosas de maior impacto na saúde pública brasileira. A compreensão de que a doença se manifesta de formas distintas entre adultos e crianças é crucial para a prática médica. Enquanto no adulto a busca ativa foca no sintomático respiratório com tosse persistente e o diagnóstico é bacteriológico (TRM-TB ou cultura), na pediatria a abordagem deve ser muito mais abrangente. As manifestações sistêmicas como febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso são clássicas, mas a tosse pode estar ausente em formas extrapulmonares ou ser menos proeminente em crianças. O erro comum de aguardar um exame laboratorial positivo em uma criança com quadro clínico e epidemiológico sugestivo retarda o tratamento e piora o prognóstico. O sistema de escores é uma ferramenta validada que permite o tratamento precoce baseado na probabilidade clínica, refletindo a realidade da baixa carga bacilar nessa faixa etária.
A definição de sintomático respiratório (SR) no Brasil foi atualizada para aumentar a detecção de casos. Na população geral, é considerado SR qualquer indivíduo que apresente tosse por 3 semanas ou mais. No entanto, esse prazo é reduzido para populações específicas de maior risco: para pessoas vivendo com HIV/AIDS, populações privadas de liberdade, pessoas em situação de rua e indígenas, qualquer tempo de tosse já justifica a investigação para tuberculose. Portanto, a afirmação de que são necessárias 4 semanas para todos os indivíduos está incorreta segundo as normas do Ministério da Saúde e da OMS.
O diagnóstico de tuberculose na infância é um desafio, pois as crianças geralmente apresentam a forma paucibacilar (poucos bacilos), o que torna a baciloscopia e o Teste Rápido Molecular (TRM-TB) frequentemente negativos (baixa sensibilidade). Por isso, o padrão-ouro no Brasil é o Sistema de Escore do Ministério da Saúde. Esse sistema pontua critérios clínicos (febre, tosse, emagrecimento), radiológicos (infiltrados, adenomegalias), epidemiológicos (contato com adulto bacilífero) e o teste tuberculínico (PPD/IGRA). Se a pontuação for favorável (geralmente ≥ 30 ou 40 pontos, dependendo da versão do guia), o tratamento é iniciado mesmo sem confirmação bacteriológica.
A tuberculose primária ocorre logo após o primeiro contato do indivíduo (primo-infecção) com o Mycobacterium tuberculosis que progride diretamente para doença, sem um período de latência prolongado. Ela é muito mais comum em crianças, que ainda não possuem uma resposta imune celular madura para conter o bacilo no complexo de Ghon. Em adultos, a forma mais prevalente é a tuberculose pós-primária (ou secundária), que resulta da reativação de focos latentes ou de uma reinfecção exógena, caracterizando-se tipicamente por lesões cavitárias nos ápices pulmonares, o que difere da apresentação primária infantil.
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