Tuberculose Pulmonar Infantil: Diagnóstico e Tratamento

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021

Enunciado

Menino, 4 anos de idade, em consulta devido a tosse há 3 semanas. Há 10 dias com febre diária (38°C). Mãe refere que, há uma semana, levou a criança ao prontosocorro e, na ocasião, fez radiografia de tórax, que mostrou infiltrado discreto em hemitórax direito. Recebeu amoxicilina durante sete dias, sem melhora. Mãe conta que o pai da criança tem apresentado tosse persistente há cerca de três meses. Ao exame clínico: paciente eutrófico, hipocorado +1/4+, eupneico, hidratado, estertores finos, esparsos em hemitórax direito, sem outras alterações. Radiografia atual semelhante à anterior. Prova tuberculínica (PPD) = 10mm. Criança submetida a indução de escarro, com duas coletas negativas. Sobre o caso, assinale a afirmativa correta:

Alternativas

  1. A) Tosse e febre insidiosas sugerem pneumonia por agentes atípicos, devendo-se iniciar tratamento com macrolídeo.
  2. B) Trata-se de tuberculose pulmonar muito provável. Iniciar tratamento por 6 meses com rifampicina, isoniazida e pirazinamida.
  3. C) O resultado do PPD é consequente ao contato com o pai da criança. A má resposta à amoxicilina demonstra resistência ao antibiótico prescrito.
  4. D) Trata-se de tuberculose pulmonar muito provável. Tratar por 2 meses com rifampicina, isoniazida e pirazinamida. Continuar com rifampicina e isoniazida por mais 4 meses

Pérola Clínica

Criança com contato TB, PPD ≥ 10mm e infiltrado pulmonar persistente → TB pulmonar provável, iniciar esquema RIPE por 2 meses + RI por 4 meses.

Resumo-Chave

Em crianças, o diagnóstico de tuberculose pulmonar é frequentemente baseado em critérios clínicos, epidemiológicos e radiológicos, especialmente na presença de contato domiciliar com adulto bacilífero e PPD reator, mesmo com baciloscopia negativa. O tratamento segue um esquema padronizado.

Contexto Educacional

A tuberculose (TB) em crianças representa um desafio diagnóstico devido à apresentação clínica inespecífica e à dificuldade de isolamento do bacilo. É uma doença infecciosa grave, especialmente em países com alta endemicidade, e sua detecção precoce é crucial para evitar a progressão da doença e a transmissão. O contexto epidemiológico, como o contato com um adulto bacilífero, é um dos pilares para a suspeita diagnóstica em pediatria. O diagnóstico de TB pulmonar em crianças é frequentemente baseado em um conjunto de critérios: história de contato com caso de TB, sintomas clínicos sugestivos (tosse crônica, febre, perda de peso), achados radiológicos (infiltrados, adenomegalias hilares) e a prova tuberculínica (PPD). Um PPD reator (≥ 10mm em crianças vacinadas com BCG) indica infecção, e sua associação com os demais critérios aumenta a probabilidade de doença ativa. A baciloscopia de escarro é frequentemente negativa em crianças, que geralmente apresentam formas paucibacilares. O tratamento da tuberculose pulmonar em crianças segue um esquema padronizado de 6 meses. A fase intensiva dura 2 meses e inclui rifampicina, isoniazida e pirazinamida (RIPE). A fase de manutenção, com duração de 4 meses, utiliza rifampicina e isoniazida (RI). É fundamental garantir a adesão ao tratamento para evitar o desenvolvimento de resistência e garantir a cura. O acompanhamento nutricional e o monitoramento de efeitos adversos dos medicamentos são igualmente importantes.

Perguntas Frequentes

Quando suspeitar de tuberculose pulmonar em crianças?

Deve-se suspeitar de tuberculose em crianças com tosse persistente (>3 semanas), febre, perda de peso, contato com adulto bacilífero e achados radiológicos sugestivos, mesmo com baciloscopia negativa.

Qual a interpretação do PPD em crianças?

Em crianças vacinadas com BCG, um PPD ≥ 10mm é considerado reator. Em crianças não vacinadas ou imunocomprometidas, valores menores podem ser significativos. O PPD reator indica infecção, não necessariamente doença ativa.

Qual o esquema de tratamento para tuberculose pulmonar em crianças?

O tratamento padrão para tuberculose pulmonar em crianças é de 6 meses: 2 meses com rifampicina, isoniazida e pirazinamida (RIPE), seguidos por 4 meses com rifampicina e isoniazida (RI).

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