FHSTE - Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim (RS) — Prova 2021
A.F., 35 anos, italiano, reside no Brasil desde criança, relata inicio de tosse seca que depois se tornou produtiva de secreções amarelo-clara, febre 38,5 º C, emagrecimento não aferido (relata que as roupas foram ficando mais largas, mas não tem o hábito de se pesar). Nega sudorese noturna, hemoptise e hemoptoicos. Quando veio à UBS este quadro já tinha um mês de evolução. Relatou que no terceiro dia de febre foi à UPA, onde foi examinado, mas não colheu exames ou fez radiografia de tórax. Prescreveram inalação com 7 gotas de berotec + 5 mi de SF 0,9% 3 vezes ao dia e prednisona 20mg meio comprimido de 12/12 horas. Após uma semana sem melhora, retornou à UPA. Foi examinado e encaminhado à UBS para investigação. Continuou fazendo uso da medicação por conta própria por mais duas semanas. Como não houve melhora, compareceu à UBS negando doenças prévias, alcoolismo e tabagismo. Com base neste relato responda a questão: assinale a primeira hipótese diagnóstica e que exames você deve solicitar:
Tosse > 3 semanas + febre + emagrecimento = suspeita de Tuberculose. Solicitar RX de tórax e BAAR.
O quadro clínico de tosse persistente por um mês, febre e emagrecimento, mesmo na ausência de sudorese noturna e hemoptise, é altamente sugestivo de tuberculose pulmonar. A primeira hipótese diagnóstica deve ser tuberculose, e os exames iniciais são radiografia de tórax e baciloscopia de escarro (BAAR).
A tuberculose (TB) pulmonar é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium tuberculosis, que permanece um grave problema de saúde pública global, especialmente em países em desenvolvimento. O diagnóstico precoce é crucial para o controle da doença e prevenção da transmissão. O quadro clínico clássico inclui tosse persistente por mais de três semanas, febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e fadiga. No caso apresentado, a tosse produtiva por um mês, febre e emagrecimento, mesmo sem sudorese noturna ou hemoptise, são sinais de alerta para TB. A fisiopatologia da TB envolve a inalação de bacilos que se alojam nos pulmões, formando granulomas. A progressão da doença pode levar à destruição do tecido pulmonar, formação de cavidades e disseminação. O diagnóstico é baseado na suspeita clínica, exames de imagem e microbiológicos. A radiografia de tórax pode revelar infiltrados, cavitações, nódulos ou linfonodomegalias. O exame microbiológico padrão-ouro é a baciloscopia direta do escarro (BAAR), que busca os bacilos álcool-ácido resistentes. Culturas de escarro e testes moleculares (como GeneXpert) são também importantes para confirmação e detecção de resistência. O tratamento da TB é prolongado e envolve uma combinação de antibióticos específicos (rifampicina, isoniazida, pirazinamida, etambutol) por vários meses. A falha em diagnosticar e tratar adequadamente a TB pode levar a complicações graves, disseminação da doença e desenvolvimento de resistência a medicamentos. É fundamental que o residente esteja atento aos sinais e sintomas da TB e saiba quais exames solicitar para um diagnóstico rápido e preciso, evitando tratamentos inadequados que podem mascarar ou agravar o quadro.
Os principais sintomas incluem tosse persistente (por mais de 3 semanas), febre vespertina, emagrecimento inexplicado, sudorese noturna e fadiga. A presença de tosse e emagrecimento por um mês já é um forte indicativo.
Os exames essenciais são a radiografia de tórax, que pode mostrar infiltrados, cavitações ou linfonodomegalias, e a baciloscopia direta do escarro (BAAR), que detecta a presença de bacilos álcool-ácido resistentes.
A prednisona (corticosteroide) e as inalações são tratamentos sintomáticos para inflamação e broncoespasmo, respectivamente. Não tratam a causa infecciosa da tuberculose, o que explica a falta de melhora do paciente.
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