Tuberculose Pulmonar: Diagnóstico em Pacientes de Risco

UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente diabético (em uso de hipoglicemiantes orais) e tabagista, de 62 anos, vem à emergência no final da tarde, com queixa de tosse produtiva e febre há 3 semanas. Ao exame físico está emagrecido, hipocorado +/4, febril de 38°C, tem os dedos manchados de nicotina; exame cardíaco mostra RCR 2T, PA=140x85 mmHg, FC-88 bpm. Respiratório com MV rude em ápice direito, roncos esparsos bilaterais, FR=24 irpm, abdome mostra fígado a 3 dedos da RCD, hepatimetria normal, Traube timpânico, sem massas palpáveis; membros inferiores com edema +/4 perimaleolar bilateralmente. Hemoglucoteste é feito, e mostra valor de 155. Qual a melhor conduta diante deste cenário?

Alternativas

  1. A) Prescrição de um macrolídeo oral, por exemplo, azitromicina por 3 dias.
  2. B) Prescrição de amoxicilina-clavulanato por 10 dias.
  3. C) Investigação com radiografia simples de tórax e baciloscopia do escarro.
  4. D) Inicio de esquema RIPE empírico.

Pérola Clínica

Paciente >60 anos, diabético, tabagista, com tosse produtiva e febre >3 semanas, emagrecimento e MV rude em ápice → Alta suspeita de Tuberculose Pulmonar, investigar com RX tórax e baciloscopia.

Resumo-Chave

O paciente apresenta múltiplos fatores de risco para tuberculose (idade avançada, diabetes, tabagismo) e um quadro clínico arrastado de tosse produtiva e febre por 3 semanas, associado a emagrecimento e hipocromia. A ausculta de murmúrio vesicular rude em ápice direito reforça a suspeita de tuberculose pulmonar, que exige investigação específica com radiografia de tórax e baciloscopia de escarro antes de qualquer tratamento empírico.

Contexto Educacional

A tuberculose pulmonar é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium tuberculosis, que permanece um grave problema de saúde pública global, especialmente em países em desenvolvimento. É crucial para estudantes e residentes reconhecerem os sinais e sintomas, bem como os fatores de risco, para um diagnóstico precoce e tratamento adequado. Pacientes idosos, diabéticos e tabagistas são grupos de risco elevado para desenvolver a doença. A fisiopatologia envolve a inalação de bacilos que se alojam nos pulmões, formando granulomas. Em indivíduos com imunidade comprometida, a doença pode reativar-se. O quadro clínico clássico inclui tosse produtiva persistente (por mais de 3 semanas), febre vespertina, sudorese noturna, perda de peso e fadiga. A ausculta pulmonar pode ser inespecífica, mas a presença de murmúrio vesicular rude ou roncos em ápices pulmonares deve levantar a suspeita. Diante de um paciente com fatores de risco e sintomas sugestivos, a conduta inicial é a investigação. A radiografia simples de tórax é fundamental para identificar lesões pulmonares características. A baciloscopia de escarro (pelo menos duas amostras) é o exame diagnóstico mais importante para confirmar a presença do bacilo e avaliar a infectividade. O tratamento empírico com esquema RIPE (Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida, Etambutol) só deve ser iniciado após a confirmação diagnóstica ou em casos de alta suspeita clínica com impossibilidade de coleta de escarro, para evitar o uso inadequado de antibióticos e o desenvolvimento de resistência.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para tuberculose pulmonar?

Os principais fatores de risco incluem imunossupressão (diabetes mellitus, HIV, uso de corticoides), tabagismo, etilismo, desnutrição, idade avançada, contato com casos de tuberculose e condições socioeconômicas desfavoráveis.

Por que a radiografia de tórax e a baciloscopia de escarro são essenciais na suspeita de tuberculose?

A radiografia de tórax pode revelar infiltrados, cavitações ou outras alterações sugestivas de tuberculose, especialmente em ápices pulmonares. A baciloscopia de escarro é um exame rápido e de baixo custo que detecta bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR), confirmando a presença da bactéria e a infectividade do paciente.

Como diferenciar a tuberculose de uma pneumonia bacteriana comum?

A tuberculose geralmente apresenta um quadro mais arrastado (tosse e febre por semanas), com perda de peso e sudorese noturna, enquanto a pneumonia bacteriana tende a ter início mais agudo. A resposta a antibióticos comuns também difere, e a localização das lesões no RX de tórax pode ser sugestiva (ápices na TB).

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