SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Mulher de 24 anos procura a Unidade Básica de Saúde (UBS) com queixas de febre vespertina, tosse produtiva com expectoração amarelada, hemoptoicos e perda de peso há 1 mês. No retorno, traz raio-x de tórax mostrando cavitação em lobo superior do pulmão direito. Após ter sido feito o diagnóstico da principal hipótese para o caso, qual a conduta a ser tomada ainda na UBS, no momento da consulta?
Diagnóstico de Tuberculose pulmonar → iniciar tratamento na UBS e testar HIV devido à coinfecção comum.
Diante de um diagnóstico provável de tuberculose pulmonar ativa, a conduta imediata na UBS inclui a administração da primeira dose dos medicamentos e, crucialmente, a oferta do teste rápido para HIV, dada a alta prevalência de coinfecção e o impacto no manejo da doença.
A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium tuberculosis, que continua sendo um grave problema de saúde pública global, especialmente em países em desenvolvimento. A apresentação clínica clássica da tuberculose pulmonar ativa inclui tosse produtiva persistente (geralmente por mais de três semanas), febre vespertina, sudorese noturna, perda de peso e hemoptise. O raio-x de tórax frequentemente revela infiltrados ou cavitações, predominantemente nos lobos superiores, como descrito no caso clínico. O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são fundamentais para interromper a cadeia de transmissão e melhorar o prognóstico do paciente. No contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), a Unidade Básica de Saúde (UBS) desempenha um papel central no diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos casos de tuberculose. Uma vez estabelecida a hipótese diagnóstica e confirmada a tuberculose pulmonar ativa, a conduta imediata na UBS deve incluir a administração da primeira dose do esquema terapêutico padrão (RIPE: Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida, Etambutol). No entanto, um aspecto crucial e muitas vezes negligenciado é a investigação da coinfecção por HIV. A tuberculose é a principal causa de morte entre pessoas vivendo com HIV, e a coinfecção agrava ambas as doenças. Portanto, a oferta e realização do teste rápido para HIV no momento do diagnóstico da tuberculose é uma conduta prioritária e obrigatória, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde. Isso permite o manejo integrado das duas condições, otimizando o tratamento da TB e iniciando a terapia antirretroviral quando indicada. Embora a investigação de contactantes e o teste de gravidez sejam importantes, a prioridade imediata para o paciente com TB ativa é iniciar o tratamento e investigar a coinfecção por HIV, que tem implicações diretas na conduta e prognóstico. Este é um ponto chave para o residente, pois reflete a importância da abordagem holística e integrada na APS.
Os sintomas clássicos incluem tosse produtiva por mais de 3 semanas, febre vespertina, sudorese noturna, perda de peso, astenia e, em casos mais avançados, hemoptise. O raio-x de tórax pode revelar infiltrados, cavitações (especialmente em lobos superiores) ou adenopatias.
A coinfecção TB/HIV é comum e impacta significativamente o prognóstico e o manejo da tuberculose. Pacientes com HIV têm maior risco de desenvolver TB ativa, formas extrapulmonares e reativação da doença. O diagnóstico precoce do HIV permite o início da terapia antirretroviral, melhorando a resposta ao tratamento da TB.
Após a confirmação diagnóstica, a conduta inicial na UBS inclui a administração da primeira dose dos medicamentos antituberculose (esquema RIPE), a oferta e realização do teste rápido para HIV, a orientação sobre o tratamento diretamente observado (TDO) e o agendamento para acompanhamento regular.
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