UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2020
Paciente de 67 anos, tabagista com quadro de tosse produtiva e febre não aferida, há dois dias. Relata que apresentou, há quatro meses, quadro de tosse com hemoptise e perda ponderal, associado a sudorese noturna. Diante da hipótese do quadro atual, mas levando em consideração seu histórico de quatro meses, assinale, a alternativa CORRETA que apresenta a classe de antibiótico que NÃO deve ser prescrita.
Suspeita de TB (tosse, hemoptise, perda ponderal, sudorese noturna) + pneumonia → EVITAR quinolonas para não mascarar/induzir resistência à TB.
Em pacientes com forte suspeita de tuberculose (sintomas constitucionais e respiratórios crônicos), a prescrição de quinolonas para um quadro agudo de pneumonia deve ser evitada, pois pode atrasar o diagnóstico e tratamento da TB, além de induzir resistência a uma classe de fármacos importantes para o tratamento da doença.
A avaliação de um paciente idoso, tabagista, com tosse produtiva e febre, que também apresenta histórico de tosse com hemoptise, perda ponderal e sudorese noturna nos últimos meses, levanta uma forte suspeita de tuberculose pulmonar (TB). Embora o quadro agudo possa ser uma pneumonia bacteriana, a coexistência de sintomas crônicos de TB exige uma abordagem cautelosa na escolha do antibiótico para o quadro agudo. A tuberculose é uma doença infecciosa grave e prevalente, especialmente em populações vulneráveis, e seu diagnóstico precoce é fundamental para o controle da doença e prevenção de sua disseminação. Nesse cenário, a prescrição de quinolonas (como levofloxacino, moxifloxacino) para tratar a pneumonia é contraindicada. As quinolonas possuem alguma atividade contra o Mycobacterium tuberculosis e são utilizadas como fármacos de segunda linha em esquemas de tratamento para TB resistente. O uso empírico de quinolonas em um paciente com TB não diagnosticada pode levar a um alívio temporário dos sintomas, mascarando a doença e atrasando o diagnóstico definitivo. Mais gravemente, pode induzir resistência do bacilo às quinolonas, comprometendo futuras opções de tratamento para a TB, especialmente em casos de resistência a fármacos de primeira linha. Para o tratamento da pneumonia em um paciente com forte suspeita de TB, é preferível utilizar antibióticos que não tenham atividade antituberculosa significativa, como macrolídeos (azitromicina, claritromicina), cefalosporinas (ceftriaxona, cefuroxima) ou penicilinas (amoxicilina/clavulanato). Enquanto o tratamento da pneumonia é iniciado, a investigação para tuberculose deve ser prontamente realizada, incluindo baciloscopia de escarro, cultura e, se disponível, testes moleculares rápidos. Essa abordagem garante o tratamento adequado da infecção aguda e evita complicações no manejo da TB.
Sintomas como tosse persistente (mais de 3 semanas), hemoptise, perda ponderal inexplicável, sudorese noturna e febre vespertina/noturna são altamente sugestivos de tuberculose pulmonar, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo e idade avançada.
As quinolonas são fármacos de segunda linha no tratamento da tuberculose. Se usadas para tratar uma pneumonia em um paciente com TB não diagnosticada, elas podem suprimir parcialmente os sintomas da TB, atrasando o diagnóstico correto e o início do tratamento específico, além de poderem selecionar bacilos resistentes a essa classe de antibióticos, dificultando o tratamento futuro da TB.
Classes de antibióticos como macrolídeos, cefalosporinas e penicilinas são geralmente seguras para tratar pneumonia em pacientes com suspeita de tuberculose, pois não possuem atividade significativa contra o Mycobacterium tuberculosis e, portanto, não mascaram a doença nem induzem resistência aos fármacos antituberculose.
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