Tuberculose Pulmonar e Adrenal: Diagnóstico e Manejo

PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2022

Enunciado

Sobre o caso clínico: paciente do sexo masculino, 59 anos, dá entrada na emergência com queixa de febre vespertina e perda de peso há 2 meses. Ao exame físico, apresentase emagrecido, febril 38ºC, com tosse produtiva, ausculta pulmonar com redução dos murmúrios vesiculares reduzidos em ápice à direita e abolidos em base à direita. Radiografia de tórax com derrame pleural à direita e infiltrado em ápice direito. Ao longo da estadia na emergência, foi notado nos controles de dados vitais que o paciente tendia a hipotensão, com PAs em torno de 80x60mmHg, e episódios de hipoglicemias, mantendo-se vígil, com extremidades bem perfundidas. Marque a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico mais provável é tuberculose pulmonar.
  2. B) Uma das explicações possíveis para o quadro de hipotensão e hipoglicemia é insuficiência adrenal secundária à tuberculose.
  3. C) Está indicado isolamento respiratório, com proteção dos profissionais e contactantes com máscara que protege contra inalação de aerossóis.
  4. D) Não está indicada pesquisa sorológica para HIV.

Pérola Clínica

Tuberculose com sintomas sistêmicos (hipotensão, hipoglicemia) → suspeitar de insuficiência adrenal por TB disseminada.

Resumo-Chave

Embora a tuberculose pulmonar seja altamente provável pelos achados respiratórios, a presença de hipotensão e hipoglicemia sugere insuficiência adrenal, que é uma manifestação de tuberculose disseminada. Portanto, o diagnóstico não se restringe apenas à forma pulmonar, mas a uma doença sistêmica, tornando a afirmação de 'tuberculose pulmonar' como o diagnóstico *mais provável* imprecisa.

Contexto Educacional

A tuberculose é uma doença infecciosa crônica causada pelo *Mycobacterium tuberculosis*, com alta prevalência e morbimortalidade global. A apresentação clássica inclui febre vespertina, perda de peso, tosse produtiva e sudorese noturna. O acometimento pulmonar é o mais comum, manifestando-se com infiltrados apicais e, por vezes, derrame pleural. A importância clínica reside na sua transmissibilidade e nas diversas formas de apresentação, incluindo as extrapulmonares. A fisiopatologia envolve a inalação de bacilos que se multiplicam nos pulmões, podendo disseminar-se hematogenicamente para outros órgãos. O diagnóstico é feito pela baciloscopia de escarro, cultura e testes moleculares. A suspeita deve ser alta em pacientes com sintomas constitucionais e achados pulmonares sugestivos. A presença de hipotensão e hipoglicemia, como no caso, deve levantar a suspeita de insuficiência adrenal, uma complicação grave da tuberculose disseminada, que pode ser a causa mais provável dos sintomas sistêmicos. O tratamento da tuberculose é prolongado e envolve múltiplos fármacos. O isolamento respiratório é mandatório para pacientes com suspeita ou confirmação de tuberculose pulmonar bacilífera. Além disso, a pesquisa sorológica para HIV é fundamental, pois a coinfecção é comum e altera o prognóstico e o manejo terapêutico, exigindo atenção especial à interação medicamentosa e à síndrome inflamatória de reconstituição imune.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de insuficiência adrenal em pacientes com tuberculose?

Os sinais incluem hipotensão, hipoglicemia, fadiga, perda de peso, hiperpigmentação da pele e mucosas (na insuficiência primária) e distúrbios eletrolíticos como hiponatremia e hipercalemia. A suspeita deve ser alta em pacientes com TB e sintomas sistêmicos inexplicáveis.

Por que a pesquisa sorológica para HIV é indicada em pacientes com tuberculose?

A coinfecção por HIV é comum em pacientes com tuberculose e impacta significativamente o manejo da doença, incluindo a escolha do esquema terapêutico, a profilaxia de outras infecções oportunistas e o risco de Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune (SIRI).

Qual a importância do isolamento respiratório em casos suspeitos de tuberculose?

O isolamento respiratório é crucial para prevenir a transmissão da tuberculose, que é uma doença transmitida por aerossóis. Profissionais de saúde e contactantes devem usar máscaras N95 ou PFF2 para proteção adequada e controle da infecção.

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