Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Um paciente de 36 anos, sexo masculino, com histórico de etilismo crônico e desnutrição, apresenta tosse produtiva, febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso de 7 kg nos últimos dois meses. A radiografia de tórax mostra opacidades cavitárias nos lobos superiores e a baciloscopia do escarro é positiva. O esquema terapêutico inicial adequado para o tratamento desse paciente é:
Tuberculose ativa (esquema básico) = RIPE (2 meses) + RI (4 meses).
O esquema RIPE é o tratamento padrão inicial para tuberculose sensível no Brasil, combinando quatro fármacos para máxima eficácia e prevenção de resistência.
A tuberculose pulmonar apresenta-se classicamente com sintomas constitucionais e achados radiológicos de cavitação em lobos superiores. O diagnóstico de certeza é bacteriológico (baciloscopia, cultura ou teste rápido molecular). O tratamento visa não apenas a cura do indivíduo, mas a interrupção da cadeia de transmissão na comunidade. A introdução do Etambutol no esquema básico brasileiro (passando de RIP para RIPE) foi uma medida para combater a resistência crescente à Isoniazida. A adesão é o fator determinante para o sucesso, sendo o Tratamento Diretamente Observado (TDO) a estratégia recomendada pelo Ministério da Saúde.
O esquema RIPE é composto por Rifampicina (R), Isoniazida (I), Pirazinamida (P) e Etambutol (E). No Brasil, esses medicamentos são administrados em comprimidos de dose fixa combinada (4 em 1) para facilitar a adesão ao tratamento.
Para casos novos de tuberculose pulmonar sensível, o tratamento dura 6 meses. Consiste em uma fase intensiva de 2 meses com os quatro fármacos (RIPE) e uma fase de manutenção de 4 meses apenas com Rifampicina e Isoniazida (RI).
Pacientes etilistas têm maior risco de hepatotoxicidade induzida pelas drogas (especialmente R, I e P) e de neuropatia periférica (prevenida com Piridoxina/Vitamina B6). O monitoramento rigoroso de enzimas hepáticas e a supervisão do tratamento (TDO) são essenciais.
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