Derrame Pleural Pediátrico: Diagnóstico e Etiologia

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2020

Enunciado

Escolar, seis anos, com quadro de febre e tosse persistente há 20 dias. Realizado exames: Rx de tórax com derrame pleural / US de tórax com derrame pleural com 200 ml de líquido livre. Líquido pleural: 124 células nucleadas, 78% de linfócitos, 20% de neutrófilos, glicose 40, pH 7,15 e LDH aumentado. A etiologia mais provável do derrame pleural é:

Alternativas

  1. A) Staphylococcus aureus
  2. B) Mycoplasma pneumoniae
  3. C) Streptococcus pneumoniae
  4. D) Mycobacterium tuberculosis
  5. E) Haemophilus influenzae

Pérola Clínica

Derrame pleural linfocitário, glicose e pH baixos → forte suspeita de Tuberculose pleural.

Resumo-Chave

A análise do líquido pleural é crucial para o diagnóstico etiológico do derrame. Em crianças com quadro subagudo de febre e tosse, um derrame pleural exsudativo com predomínio linfocitário, glicose baixa e pH baixo é altamente sugestivo de tuberculose pleural, diferenciando-o de derrames bacterianos agudos ou virais.

Contexto Educacional

O derrame pleural em crianças é uma condição que exige investigação etiológica cuidadosa, pois pode ser manifestação de diversas doenças, desde infecções virais e bacterianas até condições inflamatórias e neoplásicas. A tuberculose pleural, embora menos comum que a pulmonar em crianças, deve ser sempre considerada em regiões endêmicas ou em pacientes com fatores de risco, especialmente diante de um quadro subagudo ou crônico de febre e tosse. A análise do líquido pleural é a ferramenta diagnóstica mais importante. Um derrame pleural é classificado como exsudato se preencher os critérios de Light (proteína pleural/sérica > 0,5; LDH pleural/sérico > 0,6; LDH pleural > 2/3 do limite superior do LDH sérico). Na tuberculose pleural, o líquido é um exsudato com características muito sugestivas: predomínio de linfócitos (>50-70%), níveis baixos de glicose (<60 mg/dL), pH baixo (<7,30) e LDH elevado. A dosagem de adenosina deaminase (ADA) no líquido pleural é um marcador importante, com alta sensibilidade e especificidade para tuberculose pleural. O diagnóstico diferencial inclui derrames parapneumônicos (que geralmente são neutrofílicos e mais agudos), derrames virais (geralmente pequenos e autolimitados), e, mais raramente em crianças, neoplasias ou doenças autoimunes. O tratamento da tuberculose pleural é o mesmo da tuberculose pulmonar, com esquema polifarmacológico por tempo prolongado. A suspeita clínica e a interpretação correta dos exames laboratoriais do líquido pleural são fundamentais para um diagnóstico e tratamento precoces, evitando complicações e melhorando o prognóstico da criança.

Perguntas Frequentes

Quais as características do líquido pleural que sugerem tuberculose?

O líquido pleural na tuberculose é tipicamente um exsudato com predomínio linfocitário (>50%), glicose baixa (<60 mg/dL), pH baixo (<7,30) e LDH elevado. A ADA (adenosina deaminase) também costuma estar elevada.

Como diferenciar um derrame pleural tuberculoso de um parapneumônico bacteriano?

Ambos podem ser exsudatos com glicose e pH baixos. No entanto, o derrame parapneumônico bacteriano agudo geralmente apresenta predomínio de neutrófilos, enquanto o derrame tuberculoso, de curso mais arrastado, tem predomínio linfocitário.

Quais são os principais achados clínicos de tuberculose pleural em crianças?

Em crianças, a tuberculose pleural pode manifestar-se com febre persistente, tosse crônica, dor torácica, perda de peso e dispneia. O derrame pleural pode ser a única manifestação radiológica da doença.

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