HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2020
Paciente de 53 anos, sexo masculino, ex-tabagista, chega para consulta ambulatorial encaminhado do pronto-socorro com queixa de emagrecimento e dor em hemitórax esquerdo há mais de 4 meses associada a calafrios ocasionais. No exame físico, encontra-se em regular estado geral, emagrecido, anemiado +/4+, acianótico, anictérico, afebril e eupneico, com murmúrio vesicular diminuído em base pulmonar esquerda. Traz uma tomografia no dia da consulta realizada no pronto-socorro que mostra espessamento pleural esquerdo associado a moderado derrame pleural, sem outras alterações significativas. Frente ao quadro clínico exposto, qual a hipótese diagnóstica e o procedimento a ser realizado?
Derrame pleural exsudativo crônico + emagrecimento + ex-tabagista → Tuberculose pleural.
O quadro clínico de derrame pleural exsudativo crônico, associado a sintomas constitucionais como emagrecimento e dor torácica em ex-tabagista, é altamente sugestivo de tuberculose pleural, especialmente em áreas endêmicas. A punção diagnóstica é essencial para confirmar a etiologia e aliviar sintomas.
A tuberculose pleural é uma forma extrapulmonar comum da tuberculose, frequentemente manifestando-se como um derrame pleural exsudativo. É uma causa importante de derrame pleural crônico em muitas regiões do mundo, incluindo o Brasil, e deve ser sempre considerada no diagnóstico diferencial, especialmente em pacientes com sintomas constitucionais e fatores de risco. A fisiopatologia envolve a hipersensibilidade tardia aos antígenos micobacterianos na pleura, levando a uma resposta inflamatória e acúmulo de líquido. O diagnóstico é desafiador, pois a baciloscopia do líquido pleural é frequentemente negativa. A análise do líquido pleural revela um exsudato linfocítico, com ADA elevado. A biópsia pleural com histopatologia (granulomas) e cultura é o método diagnóstico mais definitivo. O tratamento da tuberculose pleural é o mesmo da tuberculose pulmonar, com esquema quimioterápico padrão (RIPE). A punção diagnóstica é fundamental para a confirmação, e a punção de alívio pode ser realizada para melhorar os sintomas do paciente. O manejo adequado é crucial para evitar sequelas e a progressão da doença.
Clinicamente, há dor pleurítica, tosse, febre baixa, sudorese noturna e perda de peso. Radiologicamente, observa-se derrame pleural unilateral, geralmente moderado, com ou sem espessamento pleural.
A análise do líquido pleural obtido por punção é crucial. Níveis elevados de ADA (adenosina desaminase) são altamente sugestivos, e a biópsia pleural com histopatológico e cultura para micobactérias é o padrão-ouro.
A punção de alívio é indicada para reduzir o desconforto respiratório e a dor causados pelo volume do derrame, mesmo que o tratamento definitivo seja medicamentoso.
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