UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021
Homem de 38 anos foi internado para a investigação de ascite. O paciente relata que vem ocorrendo aumento progressivo do volume abdominal há 3 meses, acompanhado de perda de peso (habitual: 70 kg; atual: 60 kg) e episódios febris há 2 meses, geralmente no final da tarde, com temperatura entre 37,8º C e 38,5º C. Os exames iniciais demonstram anemia ferropriva, albumina sérica de 4 g/dL (referência 3,5 a 4,7g/dL), albumina no líquido ascítico de 3,4g/dL. A hipótese diagnóstica a ser considerada é
Ascite com febre, perda de peso e GASA < 1,1 g/dL em jovem → suspeitar de tuberculose peritoneal.
A ascite tuberculosa é uma causa importante de ascite exsudativa, caracterizada por GASA baixo (< 1,1 g/dL). A presença de sintomas constitucionais como febre vespertina e perda de peso, além de anemia, reforça a suspeita, especialmente em áreas endêmicas.
A tuberculose peritoneal é uma forma extrapulmonar da tuberculose, comum em regiões endêmicas e em pacientes imunocomprometidos. É uma causa importante de ascite, muitas vezes subdiagnosticada devido à sua apresentação insidiosa e inespecífica, o que a torna um desafio diagnóstico. A fisiopatologia envolve a disseminação do Mycobacterium tuberculosis para o peritônio, seja por via hematogênica, linfática ou por contiguidade de um foco abdominal. O diagnóstico é baseado na suspeita clínica (febre, perda de peso, dor abdominal, ascite), achados do líquido ascítico (exsudato, linfocitose, ADA elevado) e, idealmente, confirmação histopatológica e microbiológica da biópsia peritoneal. O tratamento é o mesmo da tuberculose pulmonar, com esquema quádruplo de antibióticos por 6 meses. O reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações como obstrução intestinal e para melhorar o prognóstico, sendo um tema relevante para a prática clínica e provas de residência.
A tuberculose peritoneal deve ser suspeitada em pacientes com ascite, febre (especialmente vespertina), perda de peso, dor abdominal e, por vezes, anemia.
O GASA é fundamental. Um GASA < 1,1 g/dL indica ascite exsudativa, que é característica da tuberculose peritoneal, diferenciando-a da ascite por hipertensão portal (GASA > 1,1 g/dL).
Além da análise do líquido ascítico (com linfocitose e ADA elevado), a biópsia peritoneal (laparoscópica ou por agulha) com histopatológico e cultura para micobactérias é o padrão-ouro.
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