Tuberculose Peritoneal: Diagnóstico e Achados Chave

SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2024

Enunciado

Leia o caso clínico a seguir.Mulher, 22 anos, chega ao ambulatório com história de início, há 40 dias, de aumento progressivo do volume abdominal, com dor leve, associado a perda de peso de 5 Kg no período, inapetência, episódios esporádicos de febre não medida. Ao exame clínico nota-se ascite moderada, indolor à palpação, sem aumento de fígado e baço; ausência de icterícia e outros sinais de hepatopatia crônica.Exames complementares revelam discreta anemia e leucopenia, plaquetas normais, AST, ALT e bilirrubinas normais, INR 1,2 e albumina sérica 2,8 mg/dl; análise do líquido ascítico com predomínio de linfócitos, albumina 2,4 mg/dl.Já trouxe consigo resultado de endoscopia, com úlcera duodenal em atividade, colonoscopia normal e TC de abdome e pelve, mostrando sinais de ascite e aparente espessamento peritoneal.Qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Ascite por hipertensão portal não cirrótica.
  2. B) Tuberculose peritoneal.
  3. C) Neoplasia de ovário.
  4. D) Úlcera duodenal perfurada bloqueada.

Pérola Clínica

Ascite linfocitária + espessamento peritoneal + sintomas constitucionais → Tuberculose peritoneal.

Resumo-Chave

A tuberculose peritoneal deve ser fortemente suspeitada em pacientes jovens com ascite exsudativa (GASA < 1.1 g/dL, albumina no líquido ascítico > 2.5 g/dL), predomínio linfocitário e sintomas constitucionais como febre, perda de peso e inapetência. O espessamento peritoneal na TC é um achado comum.

Contexto Educacional

A tuberculose peritoneal é uma forma extrapulmonar da tuberculose, frequentemente subdiagnosticada devido à sua apresentação clínica inespecífica. É mais comum em pacientes jovens, imunocomprometidos ou em áreas endêmicas. A suspeita deve surgir diante de sintomas constitucionais como febre, perda de peso, inapetência e dor abdominal, associados à ascite. O diagnóstico é desafiador e muitas vezes requer uma combinação de dados clínicos, laboratoriais e de imagem. A análise do líquido ascítico é crucial, revelando um exsudato com predomínio linfocitário e GASA baixo. A dosagem de adenosina deaminase (ADA) no líquido ascítico é um teste sensível e específico. A biópsia peritoneal, seja por laparoscopia ou guiada por imagem, com histopatologia e cultura para Mycobacterium tuberculosis, é o padrão-ouro. O tratamento da tuberculose peritoneal é medicamentoso, utilizando o mesmo esquema polifarmacológico da tuberculose pulmonar, com duração total de seis meses. O reconhecimento precoce e o início do tratamento adequado são fundamentais para evitar complicações e garantir a cura, sendo um tema relevante para a prática clínica e provas de residência.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados no líquido ascítico que sugerem tuberculose peritoneal?

A tuberculose peritoneal tipicamente apresenta ascite com predomínio linfocitário, alta concentração de proteínas (exsudato) e um gradiente de albumina sérica-ascite (GASA) baixo (< 1.1 g/dL). A dosagem de ADA (adenosina deaminase) no líquido ascítico também é um marcador útil.

Como a tomografia computadorizada pode auxiliar no diagnóstico da tuberculose peritoneal?

A TC de abdome pode revelar ascite, espessamento peritoneal difuso ou nodular, linfonodomegalia mesentérica e, ocasionalmente, massas caseosas. Esses achados, em conjunto com a clínica, aumentam a suspeita.

Qual o tratamento padrão para a tuberculose peritoneal?

O tratamento da tuberculose peritoneal segue o mesmo esquema da tuberculose pulmonar, geralmente com um regime de quatro drogas (rifampicina, isoniazida, pirazinamida, etambutol) por dois meses, seguido por duas drogas (rifampicina, isoniazida) por mais quatro meses.

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