Tuberculose em Crianças: Rastreamento e Manejo de Contatos

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2024

Enunciado

Mãe leva criança de 3 anos e 6 meses, assintomática, ao consultório pediátrico devido ao fato de o avô paterno ter sido diagnosticado com tuberculose pulmonar, mãe relata que criança tem contato próximo com o avô e que vivem na mesma residência. Ao verificar a caderneta de vacinação, o pediatra observa que a criança recebeu 1 dose da vacina BCG no dia do nascimento. Sobre o caso, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Devem ser solicitados inicialmente radiografia de tórax e teste tuberculínico.
  2. B) Deve-se tranquilizar a mãe e orientar a procurar atendimento médico somente se surgir algum sintoma sugestivo de tuberculose, pois a criança está assintomática e foi vacinada.
  3. C) Devido ao avô paterno morar na mesma residência, deve-se de imediato indicar o tratamento para infecção latente por tuberculose com isoniazida.
  4. D) É recomendado a criança vacinar com segunda dose da vacina BCG, e iniciar o tratamento com rifampicina e isoniazida.

Pérola Clínica

Criança < 5 anos em contato com TB ativa → investigar infecção latente com PPD e RX tórax.

Resumo-Chave

Crianças menores de 5 anos em contato com casos de tuberculose pulmonar ativa são consideradas de alto risco para desenvolver a doença e devem ser investigadas ativamente, mesmo assintomáticas. A investigação inicial inclui o Teste Tuberculínico (PPD) e a radiografia de tórax para avaliar infecção latente ou doença ativa.

Contexto Educacional

A tuberculose (TB) em crianças representa um desafio diagnóstico e terapêutico, sendo um indicador importante da transmissão da doença na comunidade. Crianças, especialmente as menores de 5 anos, são particularmente vulneráveis a desenvolver formas graves da doença após a infecção. A investigação de contatos intradomiciliares de casos de TB pulmonar ativa é uma estratégia fundamental para o controle da doença, visando identificar e tratar infecções latentes ou doença ativa precocemente. A fisiopatologia da TB pediátrica difere da adulta, com maior propensão à disseminação hematogênica e desenvolvimento de formas extrapulmonares. O diagnóstico em crianças é complexo devido à paucibacilaridade e à dificuldade de coleta de amostras. Em contatos de TB, a investigação inicial inclui o Teste Tuberculínico (PPD) para identificar infecção pelo Mycobacterium tuberculosis e a radiografia de tórax para descartar doença ativa. É crucial lembrar que a vacina BCG, embora importante, não confere proteção completa e não dispensa a investigação em contatos de alto risco. A conduta para crianças em contato com TB ativa depende dos resultados da investigação. Se o PPD for positivo e a radiografia normal, indica infecção latente (ILTB), e a quimioprofilaxia com isoniazida é indicada. Se houver sinais de doença ativa, o tratamento completo da TB deve ser iniciado. O acompanhamento rigoroso é essencial para garantir a adesão e monitorar efeitos adversos, visando prevenir a progressão da infecção para doença ativa e reduzir a cadeia de transmissão.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da idade no rastreamento de tuberculose em crianças?

Crianças menores de 5 anos têm maior risco de desenvolver formas graves de tuberculose após a infecção e, por isso, a investigação e quimioprofilaxia são prioritárias nesse grupo, mesmo que assintomáticas.

Quais exames devem ser solicitados para uma criança em contato com tuberculose?

Inicialmente, devem ser solicitados o Teste Tuberculínico (PPD) para avaliar a infecção e a radiografia de tórax para descartar doença ativa, mesmo em crianças assintomáticas.

A vacina BCG protege completamente contra a tuberculose em crianças?

A vacina BCG oferece proteção contra as formas graves de tuberculose (miliar e meníngea) na infância, mas não previne completamente a infecção ou o desenvolvimento de outras formas da doença, especialmente em contatos próximos.

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