INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011
Criança, com 5 anos de idade, mora com os pais em bairro de periferia. Seu pai é fumante, há três meses apresenta tosse crônica, produtiva, sudorese noturna e febre diária e não procura cuidados médicos. Sua mãe é aparentemente saudável. Há três semanas, a criança iniciou tosse produtiva com escarro purulento, febre ao final da tarde e emagrecimento. O cartão de vacinas demonstra que ele foi vacinado com BCG ID no primeiro ano de vida. No atendimento é constatada temperatura oral de 37,5 °C, taquipneia e redução de murmúrio vesicular em terço médio do hemitórax direito. O exame radiológico do tórax mostra condensação homogênea em ápice de pulmão direito. O PPD é de 10 mm. Qual a conduta terapêutica para essa criança?
Criança sintomática + contato TB + PPD ≥ 10mm + RX alterado = Tratamento (2HRZ/4HR).
O diagnóstico de TB na criança é pautado em escores (contato, clínica, PPD e RX). Havendo doença ativa confirmada por esses critérios, inicia-se o esquema terapêutico padrão.
A tuberculose na infância apresenta desafios diagnósticos, pois as crianças são frequentemente paucibacilares, tornando a baciloscopia de escarro pouco sensível. Por isso, o diagnóstico baseia-se fortemente na epidemiologia (contato domiciliar) e em critérios clínicos e radiológicos. O caso descrito apresenta uma criança com sintomas constitucionais, alteração radiológica (condensação) e PPD reagente (10mm), configurando doença ativa. O controle deve ser mensal para avaliar adesão e toxicidade, com exames radiológicos realizados conforme a evolução clínica.
O tratamento é indicado quando há evidência de doença ativa. Em crianças, isso é frequentemente definido pelo sistema de escore do Ministério da Saúde, que considera: quadro clínico sugestivo, radiografia de tórax alterada, histórico de contato com adulto bacilífero e teste tuberculínico (PPD) positivo.
O esquema padrão no Brasil para crianças menores de 10 anos é composto por uma fase de ataque de 2 meses com Rifampicina (H), Isoniazida (R) e Pirazinamida (Z) - esquema 2HRZ - seguida por uma fase de manutenção de 4 meses com Rifampicina e Isoniazida (4HR).
O Etambutol (E) geralmente é omitido no esquema básico para crianças menores de 10 anos devido ao risco de neurite óptica, um efeito colateral difícil de monitorar em pacientes que ainda não conseguem realizar exames de acuidade visual e visão de cores de forma confiável.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo