UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2024
Em uma UBS, o médico atende uma criança de 4 anos com quadro de tosse há mais de 3 semanas, febre baixa e emagrecimento. A radiografia de tórax mostra um padrão sugestivo de tuberculose. Qual deve ser a conduta?
Criança com sintomas sugestivos de TB (tosse >3s, febre baixa, emagrecimento) + RX sugestivo → iniciar tratamento e notificar imediatamente.
O diagnóstico de tuberculose em crianças pode ser desafiador devido à dificuldade de obtenção de amostras para cultura. Diante de um quadro clínico sugestivo (tosse prolongada, febre baixa, emagrecimento) e radiografia de tórax compatível, a conduta é iniciar o tratamento prontamente para evitar a progressão da doença e suas complicações, além de realizar a notificação compulsória.
A tuberculose (TB) pediátrica representa um desafio diagnóstico e terapêutico significativo, especialmente em países com alta carga da doença. Em crianças, a TB é frequentemente uma manifestação da infecção primária, e a doença pode progredir rapidamente para formas graves, como a TB miliar ou meningoencefálica, se não for tratada precocemente. A epidemiologia da TB infantil reflete a transmissão em adultos, sendo a busca ativa de contatos um pilar fundamental. A fisiopatologia da TB em crianças difere da do adulto, com menor frequência de formas cavitárias e maior dificuldade em isolar o bacilo. O diagnóstico é baseado em uma combinação de fatores: história de contato com caso de TB, sintomas clínicos sugestivos (tosse persistente, febre baixa, emagrecimento, sudorese noturna), teste tuberculínico (PPD) positivo e achados radiográficos compatíveis (adenopatia hilar, infiltrados, atelectasias). A radiografia de tórax é uma ferramenta diagnóstica crucial, e um padrão sugestivo, como o complexo primário, deve levantar forte suspeita. A conduta diante de uma criança com forte suspeita de TB é iniciar o tratamento imediatamente, sem aguardar a confirmação bacteriológica, que pode levar semanas ou ser negativa. O tratamento é prolongado, geralmente com esquema de quatro drogas (isoniazida, rifampicina, pirazinamida e etambutol) nas fases iniciais. A notificação compulsória do caso à vigilância epidemiológica é obrigatória, permitindo o rastreamento de contatos e a implementação de medidas de controle da doença na comunidade. O prognóstico é favorável com o tratamento adequado, mas a adesão é essencial para evitar recidivas e o desenvolvimento de resistência medicamentosa.
Os principais sintomas de tuberculose em crianças incluem tosse persistente por mais de 3 semanas, febre baixa e prolongada (especialmente vespertina), perda de peso ou dificuldade em ganhar peso, sudorese noturna e fadiga. Em lactentes, pode haver irritabilidade e atraso no desenvolvimento.
O diagnóstico de tuberculose em crianças é frequentemente presuntivo porque é difícil obter amostras de escarro para cultura, que é o padrão-ouro. A doença geralmente se manifesta de forma paucibacilar, e os testes diagnósticos podem ter menor sensibilidade. Assim, a decisão de tratar é baseada em critérios clínicos, epidemiológicos e radiológicos.
A notificação compulsória da tuberculose é fundamental para a vigilância epidemiológica, permitindo o monitoramento da doença, a identificação de contatos para investigação e profilaxia, e a avaliação da efetividade das ações de controle. É uma ferramenta essencial para a saúde pública no combate à disseminação da doença.
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