SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2015
Homem, 23 anos de idade, há 2 meses apresenta tosse produtiva, escarro amarelo e episódios com rajas de sangue. Tem febre no final da tarde e perdeu 8 kg nesse período. Informa ser morador de rua, etilista crônico, tabagista, usuário de crack e portador do HIV há 3 anos. Relata episódio de tuberculose pulmonar há 1 ano, quando usou medicação por 5 semanas, enquanto estava internado. Realizou baciloscopia hoje que foi positiva +++. Diante desse quadro, indique novo esquema terapêutico, tendo em vista que o paciente estava em uso do Esquema I e os testes comprovaram resistência:
TB + Falha terapêutica + Resistência comprovada = Esquema para TB Multirresistente (MDR).
Pacientes com HIV e histórico de abandono de tratamento de TB têm alto risco de resistência; o manejo requer esquemas especiais com fármacos de reserva e acompanhamento rigoroso.
A tuberculose multirresistente (TB-MDR) é definida pela resistência simultânea à rifampicina e à isoniazida. O caso clínico apresenta um paciente com múltiplos fatores de vulnerabilidade (morador de rua, etilista, HIV+) e histórico de tratamento incompleto, o que é o cenário clássico para o desenvolvimento de resistência. O manejo exige uma abordagem multidisciplinar para garantir a adesão, muitas vezes utilizando o Tratamento Diretamente Observado (TDO). A coinfecção HIV/TB complica o quadro devido às interações medicamentosas entre os antirretrovirais e os tuberculostáticos, além do risco de Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune (SIRI). O diagnóstico rápido via Teste Molecular Rápido (TRM-TB) é essencial para identificar a resistência à rifampicina precocemente e guiar a terapia adequada.
Os principais fatores incluem tratamento prévio inadequado ou incompleto (abandono), contato com casos confirmados de TB-MDR, e condições de vulnerabilidade social como situação de rua. Em pacientes HIV+, a imunossupressão facilita a replicação bacilar e a seleção de cepas resistentes se a adesão ao tratamento for precária.
O esquema para TB multirresistente (resistência a Rifampicina e Isoniazida) geralmente envolve o uso de fármacos de segunda linha, como Levofloxacino, Terizidona, Etambutol, Pirazinamida e Amicacina (ou linezolida/bedaquilina dependendo da atualização do protocolo). O tratamento é prolongado, durando de 18 a 24 meses, exigindo monitoramento de toxicidade.
Uma baciloscopia fortemente positiva (+++) em um paciente sintomático com histórico de tratamento irregular indica alta carga bacilar e alta transmissibilidade. Reforça a urgência de isolamento respiratório e início imediato do esquema de resgate baseado em testes de sensibilidade molecular ou cultura para evitar a propagação da cepa resistente.
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