ENARE/ENAMED — Prova 2024
Uma menina de cinco anos está em investigação por apresentar febre de origem não esclarecida há um mês, associada à perda de peso nas últimas semanas, sem outras queixas. Seu pai, que morava na mesma casa, teve uma doença de pulmão, tratada por longo período, segundo a pessoa que acompanha a menina. A radiografia de tórax apresenta imagens micronodulares disseminadas. Ao exame físico: eupneica, ausculta pulmonar rude, com queixa de tosse eventual. A principal hipótese diagnóstica e orientação nesse caso serão:
Febre prolongada + perda peso + RX micronodular + contato TB em criança → Tuberculose miliar.
A tuberculose miliar em crianças é uma forma grave de TB, frequentemente associada a contato domiciliar e imunodeficiência. A apresentação clínica é inespecífica, mas a tríade febre prolongada, perda de peso e padrão micronodular no RX de tórax é altamente sugestiva.
A tuberculose miliar é uma forma grave e disseminada da tuberculose, resultante da disseminação hematogênica do Mycobacterium tuberculosis. Em crianças, é frequentemente associada a um contato intradomiciliar com um adulto doente e pode indicar falha na imunidade, sendo mais comum em menores de 5 anos ou imunocomprometidos. A importância clínica reside na alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. O diagnóstico é desafiador devido à apresentação clínica inespecífica, que pode incluir febre prolongada, perda de peso, adinamia e tosse. A radiografia de tórax com padrão micronodular difuso é um achado chave. A prova tuberculínica (PPD) pode ser negativa em casos de imunossupressão ou doença disseminada. A confirmação etiológica por cultura ou métodos moleculares (GeneXpert) é ideal, mas o tratamento empírico deve ser iniciado diante de forte suspeita clínica e epidemiológica. O tratamento da tuberculose miliar segue o esquema preconizado para formas graves de tuberculose, geralmente com quatro drogas (isoniazida, rifampicina, pirazinamida e etambutol) por dois meses, seguidas por duas drogas (isoniazida e rifampicina) por mais quatro a sete meses, totalizando seis a nove meses. A adesão ao tratamento é fundamental para evitar falhas terapêuticas e o desenvolvimento de resistência.
Os sinais e sintomas são inespecíficos, incluindo febre prolongada de origem indeterminada, perda de peso, tosse eventual e, em casos mais avançados, dispneia e hepatoesplenomegalia.
O histórico de contato com um adulto bacilífero é um fator de risco crucial e deve sempre ser investigado, pois a transmissão é predominantemente intrafamiliar.
A radiografia de tórax tipicamente revela um padrão micronodular disseminado bilateralmente, conhecido como "chuva de grãos de milho", que é altamente sugestivo da doença.
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