TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021
Considere um paciente, 24 anos de idade, com quadro de tosse há seis meses, uso de dois esquemas de antibióticos sem melhora, febre principalmente a noite. Relata emagrecimento e piora da tosse nos últimos 15 dias, com dispneia aos pequenos esforços. A seguir, radiografia de tórax: Diante desse quadro, qual é o diagnóstico mais provável?
Tosse crônica + febre vespertina + emagrecimento + padrão reticulonodular fino → Tuberculose Miliar.
A tuberculose militar resulta da disseminação hematogênica do bacilo, apresentando-se com sintomas constitucionais graves e padrão de 'grãos de milho' na radiografia de tórax.
A tuberculose militar é uma forma potencialmente fatal de TB extrapulmonar decorrente da erosão de um foco infeccioso para um vaso sanguíneo, espalhando bacilos por todo o corpo. Clinicamente, manifesta-se com febre, sudorese noturna e perda ponderal, evoluindo para insuficiência respiratória se não tratada. O tratamento segue o esquema básico (RIPE), mas a gravidade do quadro muitas vezes exige suporte intensivo inicial e monitorização de complicações em outros órgãos, como o sistema nervoso central.
O achado clássico na radiografia de tórax é o padrão reticulonodular fino, caracterizado por inúmeras pequenas opacidades nodulares de 1 a 3 mm, distribuídas uniformemente em ambos os pulmões, assemelhando-se a sementes de milho. Este padrão reflete a disseminação hematogênica do Mycobacterium tuberculosis, atingindo os capilares pulmonares e gerando múltiplos focos de inflamação granulomatosa simultâneos.
Embora a suspeita seja clínica e radiológica, o diagnóstico definitivo requer a identificação do M. tuberculosis. Isso pode ser feito através do teste rápido molecular (TRM-TB) no escarro, cultura de escarro, lavado broncoalveolar ou, em casos de difícil diagnóstico, biópsia transbrônquica ou hepática. Devido à natureza disseminada, o bacilo também pode ser isolado no sangue (mielocultura) ou na urina.
A tuberculose militar ocorre mais frequentemente em indivíduos com imunidade celular comprometida. Os principais fatores de risco incluem infecção pelo HIV/AIDS, uso de medicamentos imunossupressores (como inibidores de TNF-alfa), desnutrição grave, diabetes mellitus, alcoolismo e extremos de idade (crianças muito jovens e idosos). Nestes grupos, a barreira imunológica falha em conter o foco primário, permitindo a invasão vascular.
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