Tuberculose Miliar: Diagnóstico e Disseminação Hematogênica

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 47 anos apresenta quadro de 2 meses com tosse seca, sudorese noturna, anorexia, adinamia e perda de peso (12% do peso). Não há diarreia ou vómitos. Refere tabagismo há 20 anos (15 cigarros/dia). Ao exame físico, temperatura: 37,6 °C; pressão arterial: 112 x 66 mmHg; frequência cardíaca: 108 bpm; frequência respiratória: 26 ipm; oximetria de pulso com saturação de 93% em ar ambiente. Exames de sangue, hemoglobina: 11,4 g/dL; leucócitos: 3400 (neutrófilos: 87%; bastões: 3%; linfócitos: 9%; eosinófilos: 1%). A radiografia realizada é mostrada a seguir. Considerando a principal hipótese diagnóstica, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) a doença deve ser notificada em até 7 dias, mesmo antes da confirmação.
  2. B) as opacidades retículo/micronodulares difusas de distribuição randômica decorrem da disseminação hematogênica do germe no parênquima pulmonar.
  3. C) o tabagismo tem importância epidemiológica associada e aponta para câncer de pulmão com linfangite carcinomatosa.
  4. D) o teste de HIV costuma ser positivo nessa condição e o paciente deve ser tratado com trimetoprima-sulfametoxazol.
  5. E) se houver história ocupacional (agrotóxicos, gases tóxicos e metais pesados), a doença deve ser notificada em até 24 horas.

Pérola Clínica

Tuberculose miliar → opacidades retículo/micronodulares difusas por disseminação hematogênica.

Resumo-Chave

A tuberculose miliar é uma forma grave da doença, caracterizada pela disseminação hematogênica do Mycobacterium tuberculosis, resultando em múltiplos focos infecciosos que aparecem como micronódulos difusos na radiografia de tórax. O quadro clínico é insidioso e sistêmico.

Contexto Educacional

A tuberculose miliar é uma forma grave e disseminada da tuberculose, causada pelo Mycobacterium tuberculosis. Embora menos comum que a forma pulmonar clássica, é crucial para residentes reconhecerem seu padrão clínico insidioso e radiológico característico, especialmente em pacientes imunocomprometidos ou com fatores de risco como tabagismo. A doença representa um desafio diagnóstico devido à inespecificidade dos sintomas iniciais. A fisiopatologia da tuberculose miliar envolve a disseminação hematogênica do bacilo a partir de um foco primário, resultando na formação de múltiplos granulomas em diversos órgãos, incluindo os pulmões. Na radiografia de tórax, isso se manifesta como um padrão de "grãos de milho" (miliar), com opacidades retículo/micronodulares difusas. O diagnóstico é confirmado por cultura de escarro, lavado broncoalveolar ou biópsia de tecido. O tratamento da tuberculose miliar segue o esquema padrão para tuberculose pulmonar, geralmente com quatro drogas na fase intensiva e duas na fase de manutenção, por um período prolongado. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento, sendo uma condição com alta morbimortalidade se não tratada adequadamente. A notificação compulsória é fundamental para o controle epidemiológico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados radiológicos da tuberculose miliar?

A tuberculose miliar classicamente apresenta opacidades retículo/micronodulares difusas e homogêneas, com distribuição randômica em ambos os pulmões, decorrentes da disseminação hematogênica do bacilo.

Como ocorre a disseminação do Mycobacterium tuberculosis na forma miliar?

A disseminação na tuberculose miliar ocorre por via hematogênica, quando o bacilo atinge a corrente sanguínea e se espalha para diversos órgãos, incluindo os pulmões, formando múltiplos granulomas.

Quais são os sintomas sistêmicos mais comuns da tuberculose miliar?

Os sintomas sistêmicos incluem febre baixa e prolongada (geralmente vespertina), sudorese noturna, perda de peso significativa, anorexia, adinamia e tosse seca persistente.

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