Tuberculose Meningoencefálica em Lactentes: Diagnóstico e Sinais

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Lactente de 2 meses iniciou quadro de vômitos esporádicos há quatro dias, sonolência há 24 horas, e não teve febre aferida. A família o levou para atendimento, pois apresentou episódio convulsivo tônico-clônico generalizado, sem sinal de localização, há uma hora. Nascido de parto normal, AIG, sem complicações, alta com 48h de vida, está em aleitamento materno. A família perdeu o cartão de vacinação. Ao exame físico, o lactente está hipoativo, afebril, corado, hidratado, anictérico e acianótico; FR = 62ipm; FC = 130bpm. Fontanela anterior abaulada. Ausculta cardíaca e respiratória normais, sem esforço respiratório. Restante do exame físico sem alterações. A punção lombar mostrou 80 leucócitos/mm³, 50% de monócitos e 50% de polimorfonucleares, proteína = 200mg/dL, glicose = 38mg/dL. A radiografia de tórax evidenciou infiltrado bilateral, com padrão miliar. A fim de corroborar o diagnóstico, devem ser pesquisados ativamente na anamnese e no exame físico respectivamente:

Alternativas

  1. A) contato com indivíduo com tuberculose / marca da vacina BCG
  2. B) infecção urinária materna na gravidez / hipotensão arterial
  3. C) sorologia materna positiva para CMV / coriorretinite
  4. D) sífilis gestacional / pênfigo palmo-plantar

Pérola Clínica

Lactente com convulsão, fontanela abaulada, LCR alterado e RX tórax miliar → suspeitar TB disseminada. Pesquisar contato e marca BCG.

Resumo-Chave

A apresentação de tuberculose em lactentes pode ser grave e disseminada, com envolvimento meníngeo e pulmonar. A ausência da cicatriz da BCG e o contato com adultos doentes são dados cruciais para o diagnóstico e devem ser ativamente pesquisados, corroborando a suspeita clínica.

Contexto Educacional

A tuberculose meningoencefálica é uma forma grave de tuberculose extrapulmonar, particularmente devastadora em lactentes e crianças pequenas, com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. A epidemiologia da tuberculose infantil está intrinsecamente ligada à prevalência da doença em adultos na comunidade, sendo a transmissão geralmente por contato próximo. A vacinação com BCG é uma medida preventiva crucial contra as formas graves da doença em crianças. O diagnóstico é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas em lactentes e à dificuldade de isolar o bacilo. A suspeita clínica deve ser alta em casos de meningite asséptica com LCR sugestivo, convulsões, fontanela abaulada e achados radiológicos pulmonares como o padrão miliar. A anamnese detalhada sobre o estado vacinal e o histórico de contato com tuberculose são pilares para a investigação. Exames complementares incluem LCR, radiografia de tórax, e testes moleculares como o GeneXpert para detecção rápida do M. tuberculosis. O tratamento é prolongado, com múltiplos fármacos antituberculosos, e deve ser iniciado o mais rápido possível para minimizar sequelas neurológicas. A corticoterapia adjuvante é frequentemente utilizada para reduzir a inflamação e o edema cerebral. O prognóstico depende da precocidade do diagnóstico e tratamento, sendo as sequelas neurológicas comuns em casos avançados.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de tuberculose meningoencefálica em lactentes?

Os principais sinais incluem irritabilidade, sonolência, vômitos, convulsões, fontanela abaulada e, em casos mais avançados, déficits neurológicos. A febre pode estar ausente ou ser intermitente, tornando o diagnóstico desafiador.

Como o LCR se apresenta na meningite tuberculosa?

O líquido cefalorraquidiano (LCR) na meningite tuberculosa tipicamente mostra pleocitose linfocitária (embora possa ter predomínio de polimorfonucleares inicialmente), hiperproteinorraquia acentuada e hipoglicorraquia. A cultura para Mycobacterium tuberculosis é o padrão-ouro, mas pode levar semanas.

Qual a importância da pesquisa da marca da BCG e do contato com tuberculose na anamnese?

A ausência da marca da BCG indica que o lactente não foi vacinado, aumentando o risco de formas graves de tuberculose. A pesquisa de contato com adultos com tuberculose ativa na família ou no ambiente é fundamental, pois a transmissão é geralmente intrafamiliar em crianças.

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