UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023
Criança de 1 ano e 7 meses de idade é levada à consulta médica de rotina em unidade básica de saúde, sem queixas clínicas. Pai em tratamento para tuberculose pulmonar há 2 meses. A paciente apresenta cicatriz de vacina da BCG e realizou PPD na ocasião do diagnóstico do pai, que veio com reação de 15mm. A conduta correta a ser adotada para esta paciente é
Criança < 5 anos, contato TB, PPD ≥ 5mm (ou ≥ 10mm se vacinada BCG) → tratar TB latente.
Uma criança menor de 5 anos em contato com um caso de tuberculose pulmonar bacilífera, com PPD reator (≥ 5mm, ou ≥ 10mm se vacinada com BCG), mesmo assintomática, deve receber tratamento para tuberculose latente para prevenir a progressão para doença ativa.
A tuberculose latente (TBL) em crianças representa um desafio significativo na saúde pública, especialmente em países com alta endemicidade. É definida pela presença de infecção pelo Mycobacterium tuberculosis sem evidência clínica ou radiológica de doença ativa. Crianças, particularmente as menores de 5 anos, são mais suscetíveis à progressão rápida da infecção latente para doença ativa após a exposição. O diagnóstico da TBL em crianças baseia-se principalmente na história de contato com um caso de tuberculose pulmonar bacilífera e na positividade do teste tuberculínico (PPD) ou do teste de liberação de interferon-gama (IGRA). Em crianças vacinadas com BCG, um PPD ≥ 10mm é geralmente considerado reator, mas em contatos próximos, ≥ 5mm pode ser valorizado. A ausência de sintomas é crucial para diferenciar TBL de doença ativa. A conduta para TBL em crianças é a quimioprofilaxia, sendo a isoniazida diária por 6 meses o esquema mais utilizado. O objetivo é prevenir o desenvolvimento da tuberculose ativa, que pode ser grave e disseminada na infância. O tratamento deve ser iniciado após exclusão de doença ativa e acompanhamento rigoroso para adesão e efeitos adversos.
Em crianças vacinadas com BCG, um PPD é considerado reator se a enduração for igual ou superior a 10 mm. Em contatos de TB, mesmo 5mm pode ser considerado reator se houver alto risco.
O tratamento padrão para tuberculose latente em crianças é a isoniazida diária por 6 meses. Existem esquemas mais curtos com rifampicina ou isoniazida/rifapentina, mas a isoniazida é a mais comum.
Crianças menores de 5 anos, contatos de casos de tuberculose pulmonar bacilífera, com PPD reator e sem sinais de doença ativa, devem receber quimioprofilaxia. Imunocomprometidos também são candidatos.
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