Tuberculose Latente em Crianças: Diagnóstico e Tratamento

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Criança de 18 meses é levada ao posto de saúde para investigação de tuberculose, pois mora com seu avô, recentemente diagnosticado com a forma pulmonar da doença. A família refere quadros respiratórios autolimitados de resfriados com períodos assintomáticos. A criança é hígida e tem exame físico e desenvolvimento normais. O peso, a estatura e o IMC são normais para a idade. A vacinação está em dia. A radiografia de tórax é normal e a prova tuberculínica (PT) é de 15mm. A conduta adequada para esse caso, inicialmente, é administrar:

Alternativas

  1. A) isoniazida com duração de tratamento de seis a nove meses (180 doses)
  2. B) rifampicina, isoniazida e pirazinamida com duração de tratamento de dois meses
  3. C) rifampicina e isoniazida com duração de tratamento de quatro a seis meses (120 doses)
  4. D) rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol com duração de tratamento de dois meses

Pérola Clínica

Criança contato TB + PT ≥ 10mm (ou ≥ 5mm imunocomprometida) + RX normal → TBLI com Isoniazida 6-9 meses.

Resumo-Chave

Em crianças contatos de TB pulmonar, com PT positiva e sem sinais de doença ativa (RX normal, assintomática), a conduta é tratar a Tuberculose Latente (TBLI) com isoniazida por 6 a 9 meses para prevenir o desenvolvimento da doença ativa.

Contexto Educacional

A tuberculose (TB) em crianças representa um desafio diagnóstico e terapêutico, especialmente devido à dificuldade de obtenção de amostras para cultura e à inespecificidade dos sintomas. A exposição a um adulto com TB pulmonar bacilífera é um fator de risco significativo para o desenvolvimento da doença em crianças. No caso apresentado, a criança é contato de TB, tem PT de 15mm (considerada positiva em contatos, onde ≥ 5mm já é relevante, e ≥ 10mm é fortemente positivo), mas é assintomática e tem radiografia de tórax normal. Isso configura um quadro de Tuberculose Latente (TBLI). O objetivo do tratamento da TBLI é prevenir a progressão para a doença ativa, que pode ser grave em crianças. A quimioprofilaxia para TBLI em crianças é realizada com isoniazida, geralmente por um período de 6 a 9 meses (180 a 270 doses). É crucial descartar a doença ativa antes de iniciar a profilaxia, pois a doença ativa requer um esquema terapêutico politerápico mais complexo. A vacinação com BCG, embora importante, não impede a infecção ou o desenvolvimento da doença, mas reduz as formas graves de TB infantil.

Perguntas Frequentes

Quando uma prova tuberculínica (PT) é considerada positiva em crianças?

Em crianças, uma PT é considerada positiva se for ≥ 5mm em imunocomprometidos ou contatos de TB bacilífera, e ≥ 10mm em outros casos. No cenário de contato com bacilífero, 15mm é fortemente positivo.

Qual a conduta para uma criança com tuberculose latente (TBLI)?

A conduta para TBLI em crianças é a quimioprofilaxia com isoniazida por 6 a 9 meses (180 a 270 doses), após descartar a doença ativa com exame físico e radiografia de tórax normais.

Como diferenciar tuberculose latente de tuberculose ativa em crianças?

A tuberculose latente é assintomática, com exame físico e radiografia de tórax normais, mas com PT positiva. A tuberculose ativa apresenta sintomas (febre, tosse, perda de peso) e/ou alterações radiológicas.

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