UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Homem, 50a, procura o serviço de atenção primária por tosse há seis semanas. Antecedentes pessoais: artrite reumatoide há um ano em remissão. Medicamentos em uso: metotrexate e adalimumabe. Realizado radiograma de tórax (IMAGEM Q19): A conduta é:
Uso de Anti-TNF + Tosse/Febre → Suspender biológico + Iniciar esquema RIPE imediatamente.
Inibidores de TNF-alfa bloqueiam a formação do granuloma, facilitando a reativação de bacilos latentes. O manejo exige interrupção da droga e tratamento padrão para TB.
O uso de terapias biológicas revolucionou o tratamento de doenças autoimunes, mas trouxe desafios infecciosos significativos. O TNF-α é fundamental na imunidade inata e adaptativa contra patógenos intracelulares. A reativação da TB nesses pacientes costuma ocorrer precocemente (nos primeiros meses de uso) e pode se apresentar de forma extrapulmonar ou disseminada. O esquema RIPE (Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida e Etambutol) permanece o padrão para o tratamento da forma ativa. A suspensão do imunobiológico é mandatória para permitir que o sistema imune recupere a capacidade de formar granulomas e conter a infecção, enquanto o metotrexate pode ser mantido em doses baixas dependendo da gravidade do quadro.
O Fator de Necrose Tumoral alfa (TNF-α) é uma citocina crucial para a formação e manutenção do granuloma, a estrutura que o sistema imune utiliza para 'aprisionar' o Mycobacterium tuberculosis. Ao inibir o TNF-α com drogas como o adalimumabe, o granuloma se desfaz, permitindo a replicação e disseminação dos bacilos latentes.
Antes de iniciar qualquer anti-TNF, é obrigatório realizar radiografia de tórax e teste de triagem para tuberculose latente (PPD/Teste Tuberculínico ou IGRA). Se o teste for positivo (PPD ≥ 5mm ou IGRA positivo) e a radiografia normal, deve-se tratar a TB latente (geralmente com Isoniazida) antes de iniciar o biológico.
O reinício do tratamento imunobiológico deve ser individualizado, geralmente após a fase de ataque do esquema RIPE (2 meses) e com evidência de melhora clínica e laboratorial, sempre sob supervisão conjunta da reumatologia e infectologia.
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